Soldados acusados de estupro no Haiti são detidos no Uruguai

Ban Ki-moon confirmou ao presidente haitiano sua intenção de reduzir a missão para o número anterior ao terremoto de 2010

iG São Paulo |

A Justiça militar do Uruguai deteve e acusou cinco soldados da força de paz da missão da ONU no Haiti, a Minustah, acusados pelo estupro de um jovem haitiano , anunciou nesta segunda-feira o Supremo Tribunal Militar.

AFP
Manifestantes no Haiti exigem retirada das tropas da missão da ONU; no cartaz lê-se: "Brasil + Chile = Ocupação" (14/9)

"A investigação foi aberta na sexta-feira, e a Justiça militar os incriminou (domingo à noite) imediatamente após a chegada dos soldados ao país", afirmou Marta Iturvide, advogada no Supremo Tribunal Militar, à AFP. De acordo com ela, os militares não poderão apelar da decisão.

Os cinco soldados estão no centro de um escândalo que eclodiu, depois da recente difusão na internet de imagens captadas por um celular dos soldados supostamente abusando de um jovem haitiano de 18 anos.

Eles foram acusados por desobediência e por falhar na missão. A primeira acusação é passível de uma punição de quatro meses até três anos de prisão, e a segunda, prevê até três anos de detenção.

O presidente do Supremo Tribunal Militar, Julio Halty, disse na segunda-feira para vários canais de televisão locais que outro soldado foi colocado em prisão preventiva. "Há também o oficial que comandava os soldados, e que foi processado", declarou o presidente, sem especificar a identidade do oficial, nem a data de sua detenção.

Depois da revelação desse caso no início de setembro, os suspeitos foram detidos no sul do Haiti e o presidente do Uruguai, José Mojica, pediu desculpas ao presidente haitiano pelo "ultraje" cometido e disse que se empenharia em "aplicar as sanções mais severas aos responsáveis".

Em 5 de setembro, o Ministério da Defesa apresentou uma queixa no tribunal civil do Uruguai e uma outra investigação também foi aberta no Haiti.

Diante do episódio, a Minustah manifestou "a reprovação da ONU" e assegurou que a missão cuida das vítimas oferecendo atendimento médico, e eventualmente oferece ajuda material e financeira.

Muitos protestos foram organizados diante da base uruguaia em Porto Salut e em Porto Príncipe para exigir a retirada das forças da ONU.

ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, confirmou esta segunda-feira ao presidente haitiano, Michel Martelly, sua intenção de reduzir os efetivos da Minustah até o nível anterior ao terremoto de 2010.

Durante uma reunião realizada entre os dois em Nova York, "o secretário-geral confirmou a intenção de reduzir no ano que vem o componente militar da Minustah ao nível anterior ao terremoto com o consentimento do Conselho de Segurança", explicou seu porta-voz, Martin Nesirky.

"Também informou ao presidente do fato de que projeta uma retirada progressiva da Minustah, que deverá ser implementada em estreita colaboração com o governo haitiano", acrescentou.

A Minustah, que está mobilizada no país caribenho desde junho de 2004 sob o comando do Brasil, conta com militares de 18 países, a maioria procedentes de países latino-americanos.

Após o terremoto de 12 de janeiro de 2010, seu número passou de 9.000 para 12.250.

Com AFP e AP

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