Soldado acusado de ajudar WikiLeaks vai à audiência judicial

O analista de inteligência Bradley Manning é acusado de promover o maior vazamento de documentos sigilosos da história dos EUA

Reuters |

Um analista de inteligência do Exército acusado de promover o maior vazamento de documentos sigilosos na história dos EUA compareceu nesta sexta-feira à primeira audiência pré-julgamento, de um processo que pode resultar na sua condenação à prisão perpétua.

AP
Manifestantes pedem libertação de Bradley Manning nos EUA
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O soldado Bradley Manning , que completa 24 anos no sábado, é suspeito de ter fornecido no ano passado centenas de milhares de documentos militares e diplomáticos divulgados pelo site WikiLeaks . Os textos mostravam opiniões francas - e eventualmente constrangedoras - de funcionários americanos sobre outros países, e Washington disse que o vazamento pôs em risco a segurança nacional.

Essa primeira audiência foi marcada por uma tensão provocada pelos advogados de defesa. Assim que os trabalhos foram iniciados, o advogado David Coombs pediu ao principal investigador do caso - um equivalente ao juiz na corte civil - que deixasse seu posto.

Segundo Coombs, Paul Almanza, um ex-juiz militar que agora trabalha no Departamento de Justiça, era "tendencioso". Ele embasou sua tese no fato de que Almanza rejeitou aceitar todas, com exceção de duas, as 38 testemunhas de defesa significava que sua equipe não poderia elucidar seu lado adequadamente.

Após dois recessos e discussões entre a acusação e a defesa, o investigador se recusou a deixar o cargo, dando continuidade à audiência.

As audiências de instrução do processo devem ir até o dia 23. Uma das acusações contra Manning é a de "ajudar inimigos" dos EUA. Nem a defesa nem a promotoria revelaram a estratégia a ser usada, mas os promotores esperam reunir evidências suficientes para submeter o soldado a julgamento numa corte marcial geral, sob 22 acusações.

Em nota, o Exército disse que Manning pode ser condenado à prisão perpétua, redução de patente e exoneração com desonra, além de perder benefícios financeiros. A acusação de auxílio ao inimigo poderia acarretar a pena de morte, mas o Exército sinalizou que não pretende solicitá-la.

Manning foi detido em junho de 2010 , no Iraque, inicialmente sob suspeita de ter se apropriado indevidamente de um vídeo que mostrava o ataque de um helicóptero que deixou 12 mortos no país árabe, inclusive dois jornalistas da Reuters, em 2007. As acusações adicionais foram imputadas no começo deste ano.

A audiência de instrução acontece sob forte esquema de segurança no quartel Fort Meade, em Maryland, onde fica a sede da Agência de Segurança Nacional.

Leia o perfil de soldado: O caminho de um soldado até uma investigação por vazamento

Simpatizantes do soldado planejam manifestações na sexta-feira e no sábado, e participantes do movimento anticapitalista Ocupe Wall Street prometem aderir. Os apoiadores de Manning o veem como um herói, e alguns consideram que a divulgação dos documentos sigilosos, falando abertamente sobre a corrupção em diversos países, contribuiu para as revoltas da Primavera Árabe no Oriente Médio e norte da África.

Manning foi descoberto depois de se gabar das suas atividades ao ex-hacker Adrian Lamo, que o denunciou às autoridades, segundo relato de Lamo à Reuters.

Lamo diz que o soldado levava para o trabalho um CD regravável de música, que ele apagava e usava para guardar documentos sigilosos aos quais tinha acesso na qualidade de analista de informação na 2ª Brigada da 10ª Divisão de Montanha, estacionada no Iraque.

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