Solana reage com cautela sobre questão nuclear iraniana

Paris, 7 jul (EFE).- O alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, disse hoje que não pretende dar uma impressão totalmente otimista, embora acredite que há uma certa abertura à negociação, após a resposta iraniana à oferta das seis potências no dossiê do programa nuclear do Irã.

EFE |

"É preciso analisar bem o conteúdo da carta e haverá uma resposta coletiva", declarou Solana em um comunicado à imprensa com o ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, à margem de um seminário da UE e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Paris.

Na sexta-feira passada, Solana recebeu a resposta do Irã sobre a nova oferta de incentivos apresentada pelas seis potências (Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e China) para que o Irã renuncie a seu programa de enriquecimento de urânio.

"Não quero dar uma impressão totalmente otimista", manifestou Solana, ao assinalar que se trata de um tema "difícil", e classificou de "construtiva em princípio" a conversa telefônica que manteve na sexta-feira passada com o negociador iraniano no tema nuclear, Said Yalili.

"Estamos dispostos a nos reunir, provavelmente antes do final do mês", indicou o diplomata europeu, que acrescentou que é cedo demais para dizer quando e onde exatamente acontecerá o encontro.

Segundo um jornal iraniano, a reunião de Yalili com Solana acontecerá em meados do mês em um país europeu.

Solana, que acredita que há uma "abertura à negociação", assegurou que "não será um diálogo sem fim".

Quanto a perguntas sobre as ameaças israelenses de ação militar, reiterou a preferência da UE por "uma solução diplomática e com diálogo".

"Trabalhamos nisso", concordou Kouchner, ao expressar a esperança de que o diálogo possa ser desenvolvido.

Horas antes, Kouchner, que conhecia a resposta iraniana indiretamente e que a receberá esta tarde, indicara que não existe "uma grande esperança", mas que "há uma pequena esperança".

No último dia 14, Solana entregou ao Irã uma nova oferta dos seis países como incentivo para que abandone seu programa de enriquecimento de urânio.

O Conselho de Segurança da ONU já ditou três resoluções de sanções contra o Irã por se negar a suspender o enriquecimento de urânio.

A abertura de negociações sobre a oferta dos seis está condicionada à suspensão por Teerã do enriquecimento de urânio, embora não seja descartado um período de pré-negociação no qual não seriam reforçadas as sanções, e o Irã, por sua parte, não ativaria novas centrífugas de enriquecimento de urânio.

O Irã se declarou disposto a negociar, mas sem renunciar a seu direito de continuar com seu programa nuclear, que insiste que é pacífico, enquanto os países ocidentais suspeitam que este tenha fins militares. EFE ik/fh/rr

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