Solana diz que missão da UE estará em todo o Kosovo em dezembro

Bruxelas, 27 out (EFE) - O alto representante para a Política Externa e de Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, afirmou hoje que a missão civil do bloco no Kosovo, a Eulex, concluirá seu desdobramento por todo o território em dezembro. A Eulex, a maior operação judicial e policial da UE, não pôde ir ainda ao norte do Kosovo, pois encontra rejeição dos sérvios, que consideram ilegal a presença da missão européia depois da independência unilateral kosovar, pois não teria sido aprovada explicitamente pelo Conselho de Segurança da ONU. Perguntado sobre quando a Eulex completará seu desdobramento, Solana afirmou que a resposta virá em dezembro. Já o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, lembrou que a KFOR está em todo o Kosovo, e continuará fazendo o que faz no marco de seu mandato, baseado na resolução 1.244 do Conselho de Segurança da ONU.

EFE |

A força da Otan é, por enquanto, a única presença de segurança no norte do Kosovo.

Scheffer disse estar convencido de que "não haverá nenhuma brecha (de segurança) entre a KFOR e a Eulex", enquanto a missão européia ainda está sendo desdobrada.

A UE aprovou o envio da Eulex dois meses antes da autoproclamação da independência kosovar, em 17 de fevereiro, com o objetivo de ajudar na construção do aparelho judicial e policial nesse território, cuja secessão a Sérvia rejeita firmemente.

Até agora, chegaram ao Kosovo cerca de 400 integrantes da Eulex.

Solana falou ainda sobre as negociações entre a missão da ONU, a Unmik, desdobrada em 1999 conforme a resolução 1.244, e as autoridades de Belgrado.

Belgrado reconhece a Unmik como a única autoridade internacional no território.

Devido à nova situação após a independência, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou em junho seu plano de reajuste da Unmik e a redução do papel da ONU para que a Eulex assuma gradualmente mais responsabilidades nos assuntos de segurança, justiça e alfândegas.

Belgrado insistiu então em que o reajuste da missão internacional no Kosovo não pode acontecer sem o consentimento da Sérvia, embora tenha mostrado disposição ao diálogo.

Solana disse hoje que apóia as negociações e acredita que logo terminarão, mas advertiu de que não se pode vincular tudo à conclusão desse processo.

"Há três ou quatro elementos de nossa cooperação que podem e devem avançar de forma paralela", declarou.

Já Scheffer falou sobre o futuro das relações entre a Otan e a Sérvia, congeladas pelas divergências sobre a independência do Kosovo.

"A Sérvia tem que decidir por si mesma o ritmo que quer ir" em sua posterior aproximação à Aliança, disse ele, para quem as relações são boas, "apesar das diferenças de opinião".

"Não podemos dizer que a Sérvia e membros da Otan concordem em todos os elementos da questão do Kosovo, mas não acho que isso represente uma dificuldade insuperável", indicou Scheffer. EFE jms/rb/db

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