Bruxelas, 8 abr (EFE).- O alto representante para a Política Externa da União Européia (UE), Javier Solana, advertiu hoje que a ilegalização do governamental Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) acarretaria uma crise de grandes dimensões na Turquia, e danificaria a relação deste país com a UE.

Solana pediu ao Tribunal Constitucional turco que seja sensato em sua resolução, para evitar "um duro golpe para a Turquia, e também para as relações com a UE".

O Tribunal Constitucional da Turquia admitiu o trâmite de uma ação judicial que pede a ilegalização do AKP, o partido islamita moderado do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, por sua supostas ações contra o laicismo oficial do Estado.

Solana se referiu a esta questão perante a Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu.

"Se o Tribunal determinasse a ilegalidade de um partido como o APK, eleito em sucessivas eleições democráticas, e do qual faz parte o primeiro-ministro e o presidente da República, estaríamos em uma situação grave, do ponto de vista constitucional", disse.

"Seria uma crise de grandes dimensões, que teria conseqüências em nossa relação", disse Solana, que expressou seu respaldo à atuação nesta matéria do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e do comissário europeu para a Ampliação, Olli Rehn.

Barroso e Rehn viajarão esta semana à Turquia para expressar seu respaldo às reformas impulsionadas pelo Governo do AKP em sua aspiração de entrar na UE, e mostrar assim sua inquietação acerca da disputa judicial que afeta o partido de Erdogan. EFE adp/gs

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