Solana afirma que trégua em Gaza fortaleceria liderança de Abbas

Alberto Masegosa. Jerusalém, 7 jan (EFE).- A trégua proposta pelo Egito para Gaza com certeza implicaria no retorno das forças de segurança da Autoridade Nacional Palestina (ANP) à Faixa, afirmou hoje à Agência Efe o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana.

EFE |

"O ideal é que forças da ANP com apoio de observadores europeus fossem as que impedissem o tráfico de armas" em Gaza, disse Solana, em alusão ao plano de cessar-fogo que o Egito pretende apresentar a Israel e ao Hamas.

"Acredito que começarão em breve as reuniões para iniciar o processo", afirmou Solana, que está em Israel para respaldar os esforços para resolver de forma negociada a crise.

O chefe da diplomacia européia explicou que a iniciativa toma como base o restabelecimento do acordo de 2005, pelo qual as forças da ANP também ficavam encarregadas do controle das passagens fronteiriças de Gaza, com o apoio de observadores europeus.

A vigência desse acordo terminou há mais de um ano e meio, quando o Hamas expulsou da Faixa as forças da ANP e passou a governar Gaza.

A iniciativa foi bem recebida em Israel, interlocutora da ANP do presidente palestino, o moderado Mahmoud Abbas, nas negociações para obter uma paz duradoura no Oriente Médio.

Em comunicado, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, qualificou de "positiva" a proposta egípcia, e agradeceu as gestões dos presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e da França, Nicolas Sarkozy, para colocar fim ao conflito armado.

A resposta foi, no entanto, diferente dentro do Hamas.

Ghazi Hamad, um dos porta-vozes do movimento islâmico na Faixa, disse que "existe uma boa atmosfera para a negociação", e destacou que "os contatos poderiam começar no final de semana".

No entanto, fontes oficiais da direção do movimento islâmico advertiam depois em Damasco de que nenhum tipo de acordo levaria ao fim das hostilidades permanente com Israel.

A iniciativa coloca o Hamas em uma posição difícil, já que o grupo seria obrigado a ceder a administração de Gaza a Abbas, cuja legitimidade a milícia questiona e a quem acusa, há meses e de forma reiterada, de ter se transformado em um virtual aliado do Estado judeu.

O movimento islâmico intensificou, nas últimas semanas, suas críticas a Abbas, que conclui na sexta-feira seu mandato sem ter convocado novas eleições, e exigia que o presidente da ANP entregasse o poder ao Parlamento palestino, onde o Hamas possui maioria.

Desde que as forças da ANP foram expulsas da Faixa, Abbas só mantém sua autoridade na Cisjordânia. Ele seria o maior beneficiado político do conflito caso avance a proposta de cessar-fogo.

O vice-ministro de Exteriores da ANP, Ahmed Soboh, declarou à Efe em Ramala que o plano de trégua egípcio "é muito amplo e inclui a reunificação do movimento nacional palestino"; em outras palavras, que Abbas recupere o controle de Gaza.

"Sem a reunificação nacional palestina, não faz sentido que as forças da ANP sejam desdobradas na Faixa", disse Soboh.

Apesar de bastante instruídos e treinados por oficiais americanos e britânicos, os corpos de segurança da ANP tinham se mostrado até agora incapazes de combater as milícias do Hamas, mas 12 dias de uma ofensiva militar israelense contra os islâmicos poderiam ter invertido essa relação de poder. EFE amg/db

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