Islamabad, 22 abr (EFE).- O alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, acha que o Parlamento paquistanês aprovará algumas das recomendações da missão de observadores do bloco, entre elas uma reforma da lei eleitoral e uma maior independência do Poder Judiciário.

Em entrevista coletiva em Islamabad, onde chegou hoje vindo de Cabul, Solana explicou que o ministro de Assuntos Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, garantiu que seu Governo levará ao Parlamento as recomendações feitas pela equipe de observadores eleitorais da UE.

"Confio que as recomendações serão aprovadas pelo Parlamento", enfatizou.

As recomendações em questão referem-se ao relatório elaborado pela missão da UE após as eleições legislativas no Paquistão, que ocorreram em 18 de fevereiro.

Solana, que se reuniu com os principais líderes políticos paquistaneses, disse que após sua visita obteve "uma imagem ampla do novo panorama político".

"Não acredito que o país esteja regredindo, embora pudesse ir mais rápido", acrescentou.

O chefe da diplomacia européia afirmou que o Paquistão "é um país muito importante para a UE" e anunciou sua intenção de que ambas as potências fortaleçam suas relações.

Sobre a política antiterrorista a ser seguida pelo novo Executivo paquistanês, Solana ponderou que se trata de um debate nacional e, por tanto, deve acontecer no próprio país. Porém, declarou que a estratégia não pode ser mantida "porque os tempos mudam".

Diante da insistência dos jornalistas, Solana se limitou a afirmar que "é importante desenvolver o componente social, econômico e militar para combater o terrorismo".

Antes, em uma entrevista coletiva, o representante da UE havia anunciado seu apoio ao Governo em sua nova política de diálogo com os insurgentes, com medidas de deposição de armas, sempre que seja realizada "dentro da Constituição".

Indo contra a política do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, um reconhecido aliado dos Estados Unidos na luta contra o terrorismo, o novo Executivo apostou no diálogo com os insurgentes.

O Governo também deu prioridade ao desenvolvimento econômico do cinturão tribal paquistanês que faz fronteira com o Afeganistão, onde a inteligência americana suspeita que líderes talibãs e da rede terrorista Al Qaeda estejam escondidos.

Solana se reuniu com Musharraf e com o primeiro-ministro eleito, Yousef Raza Guilani, assim como com Qureshi e com os líderes dos partidos que formam a coalizão de Governo.

O diplomata espanhol, que na segunda-feira visitou também o Afeganistão, deixará Islamabad esta noite. EFE igb-amp/fb/sc

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.