Sociedades consumistas durarão no máximo 20 anos, diz especialista

Caracas, 1º abr (EFE) - O editor da revista científica britânica Ecologist, Peter Bunyard, alertou hoje em Caracas durante um fórum sobre mudança climática que as sociedades industrializadas e consumistas durarão no máximo 20 anos.

EFE |

"O consumismo, esta maneira de viver que perseguimos com tanta obsessão, não permite mais muitos anos", afirmou à Agência Efe Bunyard, especialista em mudança climática e em assuntos sobre a Amazônia.

Para Bunyard, após as mudanças no clima, "os seres humanos vão sobreviver", mas a vida será "bastante diferente" nessa hipotética nova era.

O especialista, que participou do fórum "Pressão da mudança climática sobre as florestas tropicais", realizado hoje em Caracas, também alertou sobre o esgotamento das reservas energéticas e suas conseqüências para a vida humana.

Durante sua palestra, intitulada "Impacto da mudança climática nas florestas tropicais", Bunyard destacou a ameaça sobre a Amazônia, e advertiu que "sem florestas amazônicas, a América do Sul vai morrer".

O especialista destacou a importância de evitar o desmatamento porque, "se não houver folhagem nas florestas", o processo de "evaporação e transpiração vai diminuir significativamente", o que implicaria no começo da morte do ecossistema.

O editor defendeu "informar indústrias e Governos" sobre a importância das florestas para que tomem decisões a fim de prevenir seu desmatamento, assim como conscientizar a população.

Tal idéia foi compartilhada por Markku Kanninen, diretor de Serviços Ambientais e Uso Sustentável de Florestas do Centro Internacional para a Pesquisa Florestal, na Indonésia, que também participou do fórum venezuelano.

Kanninen, membro do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, alertou que, "se não agirmos agora, vamos experimentar mudanças muito drásticas" na forma de vida do planeta.

Em declarações à Efe, o especialista defendeu a adoção de "medidas drásticas de redução de emissões" de gases estufa e a utilização de um "imposto ambiental" sobre produtos que prejudiquem o meio ambiente.

Além disso, a gerente de projetos do Instituto Finlandês para o Meio Ambiente, Aili Pyhala, falou sobre o conceito de "pegada ecológica", que analisa os impactos do ser humano sobre a natureza.

Segundo ela, esta avaliação leva em conta dados sobre as emissões de carbono, assim como estatísticas de fontes nacionais e de organismos internacionais como a ONU e a Agência de Energia Internacional.

Em declarações à Efe, Pyhala destacou que os últimos dados mostram que os Emirados Árabes Unidos são o país com maior pegada ecológica, seguidos dos Estados Unidos e da Finlândia.

Uma reunião sobre mudança climática apoiada pela ONU começou nesta segunda-feira em Bangcoc e terá o objetivo de definir o calendário das negociações para um acordo que substitua o Protocolo de Kioto em 2012. EFE apv/bba/db

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