Sociedade gosta de vampiros porque é obcecada pela juventude, diz escritora

Violeta Molina. Lisboa, 16 mar (EFE).- Os vampiros estão na moda porque o Ocidente é obcecado pela juventude e pela beleza eternas, e porque a fantasia anima e triunfa em tempos de crise, defende a escritora Charlaine Harris, autora da saga em que se baseia a série americana True Blood.

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"As vendas de livros de ficção sobem quando a economia retrocede.

O povo quer escapar de suas ansiedades, de suas preocupações, ir a universos novos e alheios a sua rotina", explicou à Agência Efe a responsável pelo livro "Morto Até o Anoitecer" (2009) e suas nove sequências.

A escritora termina hoje em Lisboa sua primeira visita à Europa, onde foi apresentar a série literária protagonizada por Sookie Stackhouse, uma garçonete com poderes telepáticos e a curiosa capacidade de se envolver em problemas.

"Sei que não é uma mulher modelo, mas não era minha intenção que fosse", diz Harris.

À primeira vista, ninguém imaginaria que Harris, uma educada, risonha e encantadora senhora de quase 60 anos do sul dos Estados Unidos, é a criadora desta bem-sucedida saga de sangue, ação e grande conteúdo erótico.

Seus livros são povoados por vampiros, fadas, lobisomens e seres da natureza em transformação e foram publicados em 20 países, vendendo milhões de cópias.

Segundo Harris, o que diferencia sua obra "vampírica" de outras sagas conhecidas é o foco. Está orientada para um público adulto, e não adolescente, e retrata o crescimento pessoal de um indivíduo mais do que o mundo dos vampiros.

A escritora assegura que seus leitores nos EUA são mais velhos que os europeus. Pode ser que a diferença de idade dos seguidores dos dois lados do Atlântico se deva ao conteúdo altamente sexual da saga, embora Harris diga que nunca recebeu críticas por isso.

E Harris as esperava. Na verdade, ela continua esperando que os setores mais conservadores da sociedade americana reclamem e a impeçam de publicar suas obras.

"Decidi que seria divertido que os romances tivessem um alto conteúdo sexual. Quando comecei a escrevê-los, já tinha certa idade e nunca tinha escrito uma cena de sexo explícito em um livro antes.

Pensei que, se queria fazê-lo, tinha chegado o momento", afirma.

O sexo é um elemento chave dos livros junto com o humor e a aventura, mas Harris afirma que neles se sobressaem mensagens sobre a natureza humana, metáforas da rejeição, a integração e a luta de raças.

Na hora de catalogar sua obra, ela não é muito clara. Diz que é literatura romântica, mas também de mistério, de fantasia, de aventura...

"Por isso, a minha agente demorou tanto tempo (dois anos) para encontrar um comprador para o primeiro livro da série. É o livro que mais me custou vender porque contém todos esses elementos", aponta.

O diretor Allan Ball adaptou, com grande sucesso de crítica e público, a saga na série "True Blood", impulsionando as vendas e a popularidade de Harris.

Por enquanto, foram publicados dez livros sobre Sookie. A autora tem outros três livros acertados com a editora e não descarta que a série cresça mais.

Apesar de ter estudado um pouco para começar neste universo mágico e bisbilhotar a realidade às vezes para criar algum personagem, ela diz que o segredo está em se sentar diante do computador das 8h às 16h e sentir-se livre para escrever o que surgir.

Harris respeita as sugestões dos leitores, mas não as leva em conta. "Eu sou a rainha deste universo", explica, e assume que não pode "satisfazer as expectativas" de todos.

Sincera e um pouco envergonhada, a escritora conta que sua história de vampiros favorita é "Blade, o Caçador de Vampiros" (1998).

"Adoro, porque parece que Wesley Snipes é tão legal e tão bonito! Sei que é um filme de série B ou C, mas gosto muito das cenas de ação", defende Harris. EFE vmg/pb/bba

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