Socialistas rejeitam plano de Mujica de libertar ex-repressores idosos

Montevidéu, 6 abr (EFE).- O Partido Socialista do Uruguai, da coalizão governista Frente Ampla (FA), rejeitou a proposta do presidente do país, o ex-guerrilheiro José Mujica, de libertar os ex-repressores maiores de 70 anos que permanecem presos.

EFE |

Fontes do partido disseram hoje à Agência Efe que a proposta foi tomada na segunda-feira na reunião semanal do Executivo do partido.

Em comunicado publicado em seu site, os socialistas se opuseram à "a possibilidade de aplicar medidas carcerárias alternativas" aos "processados por violação dos direitos humanos maiores de 70 anos".

Além disso, eles ressaltaram que o país avançou fortemente na adaptação da legislação uruguaia ao direito internacional referente aos direitos humanos e à punição dos crimes contra a humanidade, torturas e genocídio, entre outros.

Mujica propôs recentemente libertar os presos maiores de 70 anos para descongestionar as prisões, o que poderia beneficiar alguns ex-repressores. No entanto, o líder esclareceu posteriormente que "não pode haver ponto final" para os crimes durante a ditadura militar no país (1973-1985).

A postura dos socialistas, que contam com dois dos 17 senadores da Frente Ampla no Parlamento e com sete dos 50 deputados dessa coalizão de esquerda, torna-se pública depois de Mujica reiterar perante as Forças Armadas sua intenção de enterrar o passado para construir um país melhor.

O presidente combateu como guerrilheiro a vários Governos constitucionais e à ditadura militar (1973-1985), o que lhe custou 13 anos de prisão em duras condições.

Em 1989, quatro anos após sair da prisão, Mujica fundou o Movimento de Participação Popular, que tem maioria dentro da Frente Ampla, um bloco heterogêneo de partidos no qual há desde ex-guerrilheiros e comunistas até democratas-cristãos.

O Partido Socialista, junto ao Comunista e outros da Frente Ampla, propôs também a anulação no Parlamento da Lei de Caducidade, que exonerou os condenados por crimes cometidos durante a ditadura militar.

Os uruguaios rejeitaram essa possibilidade em dois referendos, um em 1989 e outro em outubro passado. EFE rac/sa

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