Socialistas perdem terreno na Europa após eleições em Alemanha e Portugal

Os resultados das eleições legislativas de domingo na Alemanha, nas quais os socialistas sofreram sua pior derrota, e em Portugal, onde ficaram privados da maioria absoluta no Parlamento, ilustra sua perda de espaço na Europa para partidos mais radicais da esquerda.

AFP |

"Há uma tendência global de retrocesso da social-democracia há 20 anos", constatou o cientista político.

Por um lado, "todo mundo, inclusive a direita, tornou-se social-democrata. Até mesmo Nicolas Sarkozy ou Angela Merkel defendem a cobertura médica, o salário mínimo ou a proteção social", explicou.

Por outro lado, "porque em uma época na qual se impõem a globalização e a economia de mercado, a direita parece, paradoxalmente, dar mais segurança".

"Uma Europa sem esquerda" era o título da capa desta segunda-feira do jornal italiano La Stampa, ao apresentar a histórica derrota do Partido Social-Democrata alemão (SPD) como um "grave sinal de alerta" para a esquerda europeia, punida principalmente por ter participado de coalizões da direita.

Em Portugal, a vitória dos socialistas nas eleições de domingo foi em parte comprometida pela perda da maioria absoluta no Parlamento.

Com esses resultados, a esquerda estará "ausente dos governos dos dois maiores países do continente, França e Alemanha" e "logo estará na Grã-Bretanha", advertiu nesta segunda-feira o jornal espanhol El País.

Na Grã-Bretanha, os trabalhistas britânicos, que estão sendo criticados por sua gestão da crise, estão a ponto de perder o poder após 14 anos.

Assim como os políticos, os jornais europeus ressaltavam nesta segunda-feira o alto preço que o SPD pagou, que registrou seu nível mais baixo na história (23%) após quatro anos de participação em um governo de centro-direita.

Os conservadores da União Cristã-democrata e da União Cristã Social (CDU/CSU) da chanceler alemã Angela Merkel e de seus aliados do FDP (Partido Liberal) conseguiram uma cômoda maioria (322 dos 622 deputados), segundo os resultados oficiais, que destacam uma perda de espaço do SPD e um avanço do Die Linke (A esquerda) de 11,9%.

A ascensão da esquerda radical e dos ecologistas, que também registraram avanços nas europeias de junho, obrigará os socialistas a redefinirem seu projeto político se não quiserem ficar muito tempo na oposição.

bur-sb/dm

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