Socialistas em Portugal ganham a eleição, mas não a maioria

Por Axel Bugge LISBOA, 27 de setembro, 16:27 (Reuters) - O primeiro-ministro socialista português José Sócrates ganhou numa eleição geral no domingo um segundo mandato à frente do governo, mas, como já era previsto, seu partido de centro-direita não conseguia uma maioria absoluta no Parlamento, segundo as pesquisas de boca de urna.

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Sócrates, 52 anos, obteve cerca de 38 por cento dos votos, menos que os 45 por cento conquistados em 2005, que lhe deram uma maioria absoluta sólida no Parlamento durante seu primeiro mandato.

A televisão SIC projetou que o resultado dará aos socialistas entre 99 e 103 cadeiras no Parlamento, que tem 230 vagas.

"A se confirmarem essas projeções, os socialistas saíram vitoriosos," disse o ministro da Seguridade Social, José Vieira da Silva, em discurso transmitido pela televisão pouco após a divulgação dos resultados da boca de urna.

A rival de Sócrates na eleição, Manuela Ferreira Leite, 68 anos, líder do Partido Social-Democrata (centro-direita), que fez campanha por reduções fortes nos gastos do setor público, obteve cerca de 29 por cento dos votos, um resultado praticamente igual ao que seu partido obteve em 2005.

O Bloco da Esquerda foi o que cresceu mais desde a eleição passada, aumentando sua parcela de votos de 6,3 por cento em 2005 para 10 por cento.

Os resultados da boca de urna, condizentes com o que apontavam as pesquisas de opinião antes da eleição, impõem a José Sócrates uma tarefa potencialmente difícil: ele terá que decidir se forma uma coalizão ou se tenta governar com a representação de que dispõe.

Governar com uma minoria no Parlamento reduz suas possibilidades de realizar reformas ambiciosas ou empreender grandes projetos de infraestrutura, no momento da maior recessão econômica em décadas e do maior índice de desemprego desde a década de 1980.

Analistas dizem que socialistas e social-democratas talvez precisem cooperar sobre algumas questões, especialmente as finanças públicas e o orçamento para 2010.

Sobre outros pontos, como a reforma social, os socialistas podem buscar apoio junto aos partidos de esquerda. Como a esquerda, José Sócrates quer aumentar o papel do governo na economia, empreendendo projetos para gerar empregos.

A esquerda se opõe firmemente à política econômica de Sócrates, que é favorável ao mercado e prevê privatizações.

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