Social-democratas húngaros governarão em minoria a partir de 1º de maio

Marcelo Nagy Budapeste, 27 abr (EFE).- A Hungria, após passar pela crise de Governo mais profunda dos últimos anos, prepara-se para um Governo minoritário social-democrata, depois que os liberais aprovaram hoje seu abandono do poder.

EFE |

A assembléia dos liberais da Aliança dos Democratas Livres (SZDSZ) ratificou hoje, com o apoio de mais de 80% dos delegados, a decisão da direção do partido de abandonar a coalizão de Governo formada pelos social-democratas (MSZP).

Com isso, os liberais abandonarão o Governo no próximo dia 30 e seus 20 representantes passarão a fazer parte da oposição no Parlamento.

O Governo fica, portanto, reduzido aos social-democratas que, liderados por Ferenc Gyurcsany, governarão em minoria, com 190 das 386 cadeiras no Parlamento.

A crise culminou no final de março, quando Gyurcsany destituiu a ministra da Saúde, a liberal Ágnes Horváth, responsável pelas penosas reformas no sistema de saúde público da Hungria - medidas que foram em parte canceladas por um plebiscito realizado no dia 9 de março.

Depois do anúncio de Gyurcsany, os liberais decidiram abandonar a coalizão, algo que se concretizou definitivamente hoje na assembléia.

Em todo caso, Gyurcsany poderá contar com o apoio dos liberais, "sempre que as reformas seguirem adiante", asseguraram dirigentes da SZDSZ.

"Estamos interessados em um divórcio pacífico e não na queda do gabinete", disse o presidente dos liberais, János Kóka, após a reunião da assembléia de seu partido.

Os observadores esperam, no entanto, que as reformas iniciadas em 2006 para sanear as contas públicas "sejam abrandadas", dado o desejo do MSZP de aumentar sua popularidade.

Não é esperada, por enquanto, a antecipação das eleições legislativas previstas para 2010, já que a popularidade dos social-democratas e liberais nunca foi tão baixa.

As pesquisas mais recentes apontavam que a oposição conservadora, dirigida pelo partido Fidesz, de Viktor Orbán, contaria atualmente com mais de dois terços dos votos emitidos.

Por isso, os analistas previram uma cooperação de liberais e social-democratas fora da coalizão.

Em recentes declarações à Agência Efe, Péter Krekó, principal analista do instituto de pesquisas "Political Capital", opinou que a solução mais provável é que após um período de transição "não muito longo" consigam mudar o primeiro-ministro.

Krekó acredita que só um fato muito relevante, como a falta de apoio parlamentar para aprovar o orçamento de 2009 (que deverá ser votado no fim de 2008), poderia desencadear eleições antecipadas.

Em 2004 os liberais já conseguiram a renúncia de um primeiro-ministro social-democrata, Péter Medgyessy (que foi substituído por Gyurcsany), quando este queria destituir seu ministro da Economia, István Csillag. EFE mn/bm/fb

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