Sobrinho da primeira-dama da Tunísia é supostamente apunhalado

Paradeiro de Imed Trabelsi, que morreu por ferimentos, era alvo de especulações desde fuga de ex-presidente para Arábia Saudita

iG São Paulo |

Imed Trabelsi, prefeito da cidade litorânea de Goulette e sobrinho da esposa do presidente foragido da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, morreu no Hospital Militar de Túnis, para onde foi levado após ser aparentemente apunhalado.

O canal tunisiano privado de televisão "Nesma" informou que Trabelsi morreu no hospital. Uma das funcionárias do local confirmou a informação à agência AFP: "Ele morreu na sexta-feira", informou a fonte. Essa é a primeira vítima confirmada ligada diretamene ao presidente foragido.

O paradeiro de Imed Trabelsi era alvo de especulações desde que seu tio, o ex-presidente tunisiano, deixou o país na sexta-feira para se refugiar em Jeddah, na Arábia Saudita

As circunstâncias do incidente não foram ainda esclarecidos. Segundo informações extraoficiais, Imed Trabelsi foi esfaqueado num acerto de contas por um de seus ex-assessores.

Imed Trabelsi foi eleito prefeito da vila litorânea de Goulette, a 10 km ao norte da capital, nas últimas eleições municipais de maio de 2010. Imed, sobrinho de Leyla Ben Ali, e o resto da família Trabelsi, foram acusados pela oposição tunisiana dos delitos de corrupção e apropriação de bens privados e públicos

Na França foi processado por roubos e formação de quadrilha por supostamente ter-se apropriado de um iate de Bruno Roger, um dirigente do Banque Lazard ligado aos presidentes Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy. A justiça francesa ditou uma ordem de prisão contra ele, mas a Justiça tunisiana se negou a extraditá-lo.

Ele fez fortuna no setor imobiliário e no setor alimentício com a cadeia francesa Conforama, e seus métodos eram questionados no mundo dos negócios.

Nas agitações populares do atual conflito social que acontece no país os manifestantes cantam o lema "Trabelsis, ladrões". Os líderes dos principais partidos da oposição denunciaram "a corrupção que gangrena o país" e exigem "levar perante os tribunais todos os corruptos".

Morte de fotógrafo

O repórter fotográfico francês Lucas Mebrouk Dolega, ferido na sexta-feira quando cobria os distúrbios em Túnis, está vivo, mas em estado crítico, informaram fontes da diplomacia francesa.

A informação desmentiu anúncio anterior que indicava que Dolega havia morrido após ter sido ferido gravemente na cabeça por uma bomba de gás lacrimogêneo quando trabalhava na cobertura da crise política do país para a agência europeia de fotografia "EPA". O fotógrafo, de 32 anos, está internado em estado grave em um hospital tunisiano.

*Com EFE e AFP

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