Testemunhas do tremor de 7 graus na escala Richter, que atingiu a capital do Haiti na tarde desta terça-feira, relataram cenas de caos, devastação e angústia, com edifícios destruídos e pessoas mortas e feridas em Porto Príncipe e nos arredores.

As estimativas de vítimas do terremoto ainda são desencontradas, mas segundo afirmou à BBC Mike Blanpeid, da agência geológica dos Estados Unidos, cerca de 3 milhões de pessoas estavam na área mais atingida pelo tremor e que os estragos devem ser "significativos'.


Uma das principais ruas de Porto Príncipe, capital do
Haiti, teve diversos prédios destruídos / AFP

Carel Pedre, um apresentador de rádio e TV em Porto Príncipe, disse à BBC ter testemunhado uma grande destruição no trajeto de oito quilômetros que fez pela capital para encontrar sua filha.

"Eu vi muitas pessoas chorando por ajuda, muitos edifícios desmoronados, vários carros danificados, muitas pessoas sem ajuda, pessoas ensanguentadas", relatou.

Ele disse ter visto um cinema, um supermercado, um cibercafé e um prédio de apartamentos totalmente destruídos.

Tremores secundários

Pedre disse que podia sentir os tremores secundários a cada 15 ou 20 minutos, cada um durando de três a cinco segundos.

Segundo ele, a escuridão na cidade contribuía para a sensação de medo e preocupação entre a população.

"Não há eletricidade, todas as linhas telefônicas estão desligadas, então não tem muito jeito de as pessoas entrarem em contato com suas famílias e com os amigos", disse.

Ele afirmou não ter visto muitos carros de serviços de emergência e que as pessoas nas ruas tentavam ajudar uns aos outros, mas sem saber "aonde ir ou por onde começar".


Sobrevivente é resgatada de escombros em Porto Príncipe / AFP

Mortos

O repórter da Reuters Joseph Guyler Delva disse que quando o terremoto atingiu a cidade "tudo começou a tremer, as pessoas estavam gritando, as casas estavam caindo".

Delva disse ter visto dezenas de pessoas mortas. "Eu vi pessoas debaixo dos escombros, pessoas mortas. Havia pessoas gritando 'Jesus, Jesus' e correndo em todas as direções". Ele descreveu a situação como "caos total".

Henry Bahn, um funcionário do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos que estava no Haiti, disse que todas as pessoas na capital haitiana estavam "assustadas e emocionadas".

Ele relatou à agência de notícias Associated Press que estava retornando ao seu hotel quando o chão começou a balançar.

"Eu podia ouvir uma tremenda quantidade de barulho e de gritos à distância", disse.

Ele disse ter visto uma cratera onde antes havia várias casas. "Está cheio de muros caídos, de escombros e de arame farpado", relatou.

'Confusão e angústia'

Valerie Moliére, de 15 anos, teve que ser ajudada pelo pai para conseguir sair da casa da família, danificada pelo tremor.

"Estava muito, muito ruim. Eu não conseguia nem ficar de pé. Estava no chão, meu pai teve que me pegar e me tirar da casa, de tão ruim que estava", disse ela à TV americana ABC.

Segundo ela, o ambiente do lado de fora era de "confusão e angústia". "Neste momento, tudo o que eu posso ver são pessoas correndo. Elas ainda estão correndo e gritando. Só vejo pessoas se abraçando e chorando por todos os lados", disse.

Segundo ela, os danos foram grandes. "Eu posso ver casas destruídas e muitas pessoas passando ensanguentadas na minha frente", relatou.


Mapa do Haiti / Fonte: Wikimedia

Escuro

Um funcionário da organização não governamental Food for the Poor, Rachmani Domersant, disse que a situação piorou depois que escureceu.

Ele contou à agência Reuters que viu sete ou oito edifícios desmoronados, entre hotéis e lojas. Ele advertiu que as projeções sobre centenas de mortos "podem estar seriamente subestimadas".

Poucos minutos após o tremor, uma grande nuvem de poeira e fumaça podia ser vista sob o céu da capital.

Mike Godfrey, que trabalha para a Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional, disse à rede CNN que parecia que "um cobertor cobria completamente a cidade, deixando-a escura por cerca de 20 minutos".

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