Sobreviventes do terremoto esperam ajuda e o número de mortos aumenta

Pequim, 16 abr (EFE).- Muitos dos sobreviventes do terremoto de 7,1 de magnitude que atingiu a província de Qinghai na China nesta quarta-feira passaram, mais uma vez, à noite ao relento, a espera que mais ajuda chegue à região que já conta com 791 mortos.

EFE |

Os últimos números indicam que há 294 pessoas desaparecidas e 11.486 feridos, dos quais 1.174 estão em estado grave, destacou a agência oficial "Xinhua".

"Faz muito frio à noite. Precisamos de barracas e comida o mais rápido possível", disse uma vítima do terremoto à imprensa, que acrescentou que um saco de farinha encontrado entre os escombros é a única comida de que dispõem ele, sua mulher e seus quatro filhos.

Na cidade de Jiegu, onde 85% das casas foram destruídas, muitos residentes buscam alimentos e cobertores entre as ruínas.

Enquanto isso, as equipes de resgate, que tentam fazer frente às más condições meteorológicas e à falta de oxigênio (a cidade está situada a quatro mil metros de altitude), seguem retirando às pessoas dos escombros dos edifícios caídos.

Ao menos 7.093 soldados participam das operações de salvamento em Jiegu, onde 6,9 mil moradores já foram recuperados.

Muitas das estradas da região estão danificadas, entre elas as que unem área a capital da província, Xining, um dos poucos lugares com hospitais com condições de tratar os feridos.

Enquanto muitas pessoas permanecem sepultadas entre os escombros as histórias dos sobreviventes seguem vindo à tona.

"Xinhua" informou, por exemplo, do nascimento de vários bebês na zona afetada durante esses três dias.

"Deve ser a primeira vida que chegou ao mundo após a catástrofe", contou um médico sobre o nascimento de uma criança em uma das barracas montadas na cidade de Jiegu. "O bebê trouxe esperança para este lugar em ruínas", ressaltou.

Cerca de dez mil roupa e colchões, assim como 400 caixas de água potável e macarrão instantâneo, chegarão hoje a Yushu, cuja população é composta por 90% de tibetanos.

Os monges se uniram aos trabalhos de resgate, durante as quais já foram encontrados 103 estudantes e 12 professores mortos.

Em entrevista coletiva realizada hoje em Pequim, Wang Yu, chefe da equipe médica, disse que "o fato da maioria das pessoas serem tibetanas dificultou os trabalhos médicos, já que os doutores têm problemas para se comunicar com os feridos".

Por isso, 100 estudantes que falam tibetano participam como voluntários no hospital de Xining, segundo o jornal "China Daily".

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que suspendeu uma viagem a Brunei, Indonésia e Mianmar, e foi para a região afirmou que enquanto houver uma "esperança mínima", as equipes vão se esforçar ao máximo e "nunca se render".

Por sua vez, o presidente da China, Hu Jintao, cancelou sua visita a América do sul, que incluía o Brasil, a Venezuela e o Chile, para retornar à China.

Os cientistas advertem que fortes tremores ainda podem ocorrer nos próximos dias e afirmam que "a réplica de 6,3 de magnitude que aconteceu após o terremoto é considera de grande alcance em comparação com os registros históricos", por isso "é preciso ficar tomar cuidado com mais tremores que rondem os 6 graus".

Segundo Zhou Rongjun, pesquisador do Escritório de Terremotos de Sichuan, "com uma investigação sismológica moderna, são capazes de dizer que são os lugares mais vulneráveis aos terremotos de mais ou menos intensidade, mas continua sendo um desafio dar uma data exata de quando eles podem acontecer".

O terremoto é o mais grave ocorrido na China desde maio de 2008, quando um tremor de 8 graus castigou a província de Sichuan, deixando 90 mil mortos e desaparecidos. EFE mmp/pb

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