Sobreviventes de Srebrenica acompanham Karadzic no TPI pela TV

Mulheres sobreviventes de Srebrenica, onde cerca de 8.000 muçulmanos foram massacrados em 1995 pelas forças sérvias, acompanharam com tristeza pela TV o primeiro comparecimento do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic diante do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia.

AFP |

"Olhem para ele! O que ele quis fazer, ele fez e, agora, ele sorri", reclama Sabra Mujic, de 48 anos, uma das quase 30 mulheres reunidas na sede, em Sarajevo, de uma associação das mães de Srebrenica, cujos maridos e filhos foram mortos no massacre.

"Quem é esse senhor?", exclama ela, indignada, na frente da TV, cada vez que o juiz holandês do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), Alphons Orie, dirige-se ao ex-homem forte dos sérvios da Bósnia.

Preso em 21 de julho, em Belgrado, Karadzic compareceu hoje, pela primeira vez, no TPII, após ser acusado, em 1995, de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade por seu papel na guerra da Bósnia (1992-1995), que deixou mais de 100.000 mortos e 2,2 milhões de deslocados.

"Gostaria que nos deixassem ir ao tribunal de Haia para interrogá-lo pelo que ele fez, para que nós o olhássemos nos olhos e ele nos respondesse, a nós, as mães", declarou Mujic à AFP.

Quando, na sala do TPI, o juiz resumiu as 11 acusações contra Radovan, as lembranças do massacre fizeram as sobreviventes chorarem.

"Tiraram tudo de nós, nossos filhos, nossos maridos. E o que temos de volta é um filme de Karadzic", disse Kada Hotic, uma outra sobrevivente. "O mundo olha isso como se fosse um espetáculo", revolta-se essa viúva que também perdeu o marido e um filho no massacre.

O presidente da Comissão bósnia para os desaparecidos, Amor Masovic, comenta que Karadzic parece estar "confuso e assustado".

"É claro que ele se achava intocável, mas há tantas provas. Encontramos fossas comuns com centenas de suas vítimas. Ele sabe que passará o resto de seus dias na prisão", completou.

Em Banja Luka, a capital da Republika Srpska, entidade dos sérvios da Bósnia da qual Karadzic era o primeiro presidente, sua ida ao TPI não provocou qualquer reação das autoridades políticas.

Enquanto alguns cafés e restaurantes de um centro da cidade quase deserto transmitiam, ao vivo, as imagens da audiência, a TV recebia, de fato, pouca atenção dos clientes, segundo um correspondente da AFP.

"Radovan não deveria ter de ir Haia, é vergonhoso, por parte dos sérvios, terem-no extraditado", reclamou um homem na faixa dos 50 anos, um dos raros a aceitar falar sobre o assunto.

sar/tt

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