Sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki pedem fim de armas atômicas

"Não queremos que se repita a história em nenhum lugar", diz sobrevivente de 77 anos

EFE |

México - Cidadãos japoneses sobreviventes das explosões atômicas de Hiroshima e Nagasaki pediram hoje na Cidade do México a destruição de todas as armas nucleares para salvar a humanidade de "outro inferno".

"As bombas e os humanos não podem conviver. Nós consideramos que as bombas atômicas têm de ser eliminadas no mundo, pois não queremos que se repita a história em nenhum lugar", declarou Mitsuo Kodama, de 77 anos, sobrevivente da bomba de Hiroshima. Kodama participou de um seminário de desarmamento nuclear e não-proliferação realizado na Chancelaria mexicana, onde assegurou que "nunca se esquecerá" daquele agosto de 1945.

O seminário realizado na Cidade do México faz parte de uma expedição global contra as armas nucleares na qual viajam dez 'hibakusha' - nome pelo qual são denominados no Japão os sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. O périplo os leva a vários países para reivindicar um mundo sem armas nucleares. Kodama explicou que ele era um dos 300 estudantes de nível fundamental que estavam em uma escola localizada a 800 metros do ponto onde explodiu a bomba nuclear de Hiroshima e na qual, milagrosamente, cinco pessoas sobreviveram.

"Eu não tenho filhos. Sou uma das poucas pessoas afortunadas que conseguiu sobreviver, mas com lamentáveis sequelas. Vivo com mais de 12 tipos de câncer na pele e cinco dentro do meu corpo, que venci por um milagre", explicou Kodama, ao ressaltar que seu corpo recebeu 4,6 unidades de radiação após a explosão da bomba.

Na cerimônia, o primeiro-secretário para assuntos políticos da embaixada do Japão no México, Hiroshi Ezake, deixou claro que seu país manterá como missão principal "eliminar totalmente as armas desse tipo" no mundo. O diretor da Chancelaria mexicana para as Nações Unidas, Pablo Macedo Riba, reconheceu que ainda falta muito a fazer, já que no planeta "existem cerca de 23 mil armas nucleares", 90% pertencentes à Rússia e aos Estados Unidos.

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