PORTO PRÍNCIPE - A advogada italiana Cristina Iampieri, que trabalha na sede da ONU no Haiti, afirmou nesta quarta-feira que com o passar das horas cresce o temor de uma escalada da violência no país caribenho, em decorrência do caos instaurado pelo terremoto.

"Nós estamos bem, o único medo são os saques", comentou Iampieri, que está na capital Porto Príncipe. Ela relatou que "as favelas todas desmoronaram" com o tremor de ontem de 7 graus na escala Richter.

"O que nos chocou muito foi o silêncio total de toda a cidade no escuro. A única coisa que se conseguia ouvir eram as pessoas que tinham se agrupado para rezar cantando", conta ainda a advogada.

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta quarta-feira que a principal prisão do Haiti desabou após o forte terremoto que atingiu o país na noite de terça-feira. Segundo informou a ONU, um número ainda não contabilizado de presos conseguiu fugir.

O Pentágono disse nesta quarta-feira que avalia "seriamente" o envio de tropas americanas ao Haiti para garantir a segurança no país após o forte terremoto desta terça-feira.

Sobreviventes

Iampieri sobreviveu porque no momento do abalo sísmico estava em sua casa, que se manteve em pé. Mas as condições de vida na capital estão precárias. "Não funciona nem mesmo a rádio. As linhas foram sobrecarregadas. Esperamos a ajuda de vocês", afirmou.

Por sua vez, a agrônoma Diane Nsengiyumva, de origem burundinesa, contou à agência ANSA que passou a noite "dentro do carro" porque sentiu "muito medo". Como vive na zona rural, ela não sofreu danos materiais, mas diz que não consegue entrar em contato com a capital.

"Os telefones estão mudos, as poucas informações chegam graças à internet ou à TV francesa. As autoridades não divulgaram nenhum comunicado, e são elas que nos deveriam ajudar. Estão completamente ausentes", protestou.

* Com Agência Ansa e AP

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