Sobre o gelo do Ártico, chefe da ONU defende tratado climático

OSLO - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta quarta-feira, durante visita à vulnerável camada de gelo do oceano Ártico, que os políticos do mundo precisam se empenhar para aprovar um novo tratado climático global neste ano.

Redação com agências internacionais |

Ban disse que o Ártico, cujas temperaturas sobem mais do que em qualquer outro lugar do planeta, é o "marco zero" da pesquisa climática e serve de alerta em meio às discussões globais sobre como reduzir as emissões de gases do efeito estufa.


Ban Ki-moon esteve nesta quarta-feira no oceano Ártico / AP

"Aqui no gelo polar sinto o poder da natureza e ao mesmo tempo uma sensação de vulnerabilidade", disse o sul-coreano, depois de desembarcar de um navio quebra-gelo da Guarda Costeira norueguesa para caminhar sobre a água congelada e conversar com pesquisadores.

"Devemos fazer tudo o que pudermos para preservar este gelo ártico. Esta é a responsabilidade política exigida dos líderes globais, e contamos com seu compromisso", afirmou ele, na noite de terça-feira.

A capa de gelo do Ártico tem encolhido a um ritmo mais acelerado do que os cientistas previam, e pode desaparecer totalmente durante o verão até 2050, segundo estudos recentes. O fim desse manto branco expõe águas escuras, que absorvem mais radiação solar, gerando ainda mais aquecimento global.

O quebra-gelo "KV Svalbard" avançou durante quase duas horas pelo oceano glacial, até encontrar um navio de pesquisas que está a cerca de mil quilômetros do Polo Norte, a uma latitude superior a 80.

Ali, os pesquisadores mostraram a Ban como medem a espessura do gelo, a temperatura e outros parâmetros, na tentativa de descobrir por que o gelo cada vez mais migra do Ártico para se derreter nas águas relativamente mais quentes do Atlântico Norte.

Para proteger Ban contra ursos polares, vistos na região horas antes, guardas armados controlavam o perímetro da plataforma de gelo.

Ban disse esperar que os cerca de cem dirigentes mundiais que participarão neste mês de uma conferência climática em Nova York "demonstrem sua liderança" e deem impulso para as negociações destinadas a aprovar o novo tratado climático, numa cúpula em dezembro em Copenhague.

O sul-coreano também está empenhado em reafirmar sua liderança, depois de um memorando duro em que a embaixadora norueguesa junto à ONU disse que lhe falta carisma e eficácia, e que isso poderia contribuir com um fracasso da cúpula de Copenhague.

O acordo a ser definido na Dinamarca irá substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. Mas ainda é preciso resolver graves diferenças entre os países desenvolvidos e as nações em desenvolvimento, lideradas por China e Índia, sobre a amplitude das reduções das emissões e as formas de financiar esse processo.

Ban disse estar "trabalhando duro" com os líderes globais para definir metas de uma redução de pelo menos 25 por cento nas emissões dos países desenvolvidos até 2020, em comparação a 1990. Propostas já anunciadas pelos países ricos ficam aquém desse objetivo.

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