Equipes encontram corpo de sexta vítima de naufrágio na Itália

Autoridades elevam número de desaparecidos de 16 para 29; guarda costeira afirma que 10 alemães estão entre desaparecidos

iG São Paulo |

Equipes de resgate lutam contra o tempo nesta segunda-feira para encontrar sobreviventes do acidente com o navio Costa Concordia, mais de 48 horas depois de ele ter tombado perto da costa da Itália. Após as buscas terem sido suspensas por causa do movimento do navio causado pelo mau tempo e pela turbulência das águas, foram retomadas depois de três horas . Antes de os trabalhos serem suspensos, mais um corpo foi encontrado, elevando para seis o número de vítimas.

Entenda o caso: Navio naufraga e deixa mortos na Costa da Itália
Investigação: Operadora do Costa Concordia afirma que comandante errou

AP
Equipes de resgate são vistas no topo do navio Costa Concordia, que se chocou com rocha e tombou perto da ilha de Giglio, na Itália (16/01)

De acordo com o porta-voz dos bombeiros, Luca Cari, o corpo é de um homem, provavelmente passageiro, que usava um colete salva-vidas e foi encontrado em um dos corredores do Costa Concordia. “Ainda trabalhamos para retirar o corpo do navio. As condições do mar dificultam a entrada das equipes”, afirmou antes da suspensão dos trabalhos.

O homem não foi identificado. As demais vítimas são dois italianos, um peruano e dois franceses. Nesta segunda-feira, o Itamaraty atualizou o número de brasileiros presentes no navio de 53 para 57, sendo seis tripulantes do Costa Concordia.

As águas estão mais turbulentas e há a previsão de um temporal para esta segunda-feira. O número de desaparecidos subiu na noite de segunda-feira para 29, segundo um chefe da guarda costeira italiana.

Marco Brusco, chefe da guarda costeira, disse que 25 passageiros e quatro tripulantes estão desaparecidos há três dias, depois que o navio bateu contra rochas na costa da Toscana e tombou.

Mais cedo, o número de desaparecidos era 16. Brusco não explicou o por que do aumento, mas indicou que 10 alemães estão entre os 29 desaparecidos.

O acidente aconteceu na sexta-feira, quando o navio que levava mais de 4 mil a bordo colidiu com uma rocha perto da ilha de Giglio. O cruzeiro já havia inclinado cerca de 20 graus quando passageiros e tripulantes começaram a deixar a embarcação em botes salva-vidas ou nadando.

Antes da paralisação das atividades, o prefeito de Giglio, Sergio Ortelli, afirmou que a missão de resgate estava “em uma das fases mais importantes”, mas admitiu que as chances de as equipes encontrarem sobreviventes está diminuindo.

O fato de as águas estarem turbulentas criou a preocupação de que o navio possa ficar instável. O Costa Concordia carrega cerca de 2,5 toneladas de combustível e, embora nenhum vazamento tenha sido encontrado até agora, especialistas temem a possibilidade de danos ambientais . Uma empresa holandesa foi contratada para ajudar na extração do combustível.

Ameaça: Naufrágio na costa italiana traz 'grande risco' ambiental, diz ministro

'Erros de julgamento'

No domingo, a empresa que opera o navio afirmou que investigações iniciais indicam que erros cometidos pelo capitão do cruzeiro causaram o acidente. A acusação foi reiterada nesta segunda-feira pelo chefe-executivo da Costa Cruzeiros, Luigi Foschi. De acordo com a empresa, Francesco Schettino teria conduzido a embarcação perto demais da costa, além de não seguir os procedimentos de segurança determinados pela empresa. "Aparentemente, o comandante cometeu erros de julgamento que tiveram graves consequências", disse o comunicado da empresa.

Schettino é suspeito de homicídio culposo (sem a intenção de matar) e nega todas as acusações. Ele está sendo questionado pela polícia e alega que o sistema de navegação não mostrava obstáculos no local do acidente.

Schettino negou as acusações de que teria deixado a embarcação sem prestar auxílio aos passageiros e afirmou que só deixou o navio após terminar o processo de retirada dos ocupantes.

Em uma entrevista transmitida pela TV italiana, ele foi questionado se seguiu a máxima de que "o capitão é o último a deixar o barco". "Fomos os últimos a deixar o navio", respondeu.

O capitão afirmou também que, de acordo com as informações que tinha no momento do acidente, as rochas que provocaram a ruptura do casco do navio não foram detectadas pelo sistema de navegação automática da embarcação.

Segundo ele, as cartas náuticas não teriam indicado a presença de rochas no local. "Não deveríamos ter tido esse impacto", afirmou. “Pelas informações que tinha, estávamos a mais ou menos a 300 metros das rochas.”

Muitos sobreviventes relataram cenas de pânico e muita falta de organização na retirada dos passageiros após o choque. Alguns pularam na água gelada e nadaram os cerca de 300 metros que separavam a embarcação de terra firme. Outros se abrigaram no deck do navio e foram retirados de helicóptero.

Com AP e BBC

    Leia tudo sobre: naufrágioitáliacosta concordia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG