Sobem para 15.000 os moçambicanos que fogem de ataques na África do Sul

Maputo, 24 mai (EFE).- Os moçambicanos que voltaram da África do Sul por causa da atual onda de xenofobia já chegam a 15.

EFE |

000, disseram hoje à Agência Efe fontes do Serviço de Migração de Moçambique, segundo as quais este número pode ser ainda maior, uma vez que não leva em consideração as travessias ilegais.

Os dados anteriores, correspondentes à quinta-feira e divulgados pela migração moçambicana, indicavam que cerca de 10.000 pessoas cruzaram a fronteira da África do Sul em direção a Moçambique pelo posto fronteiriço de Ressano García.

O funcionário de um banco dessa localidade do sul de Moçambique disse por telefone à Efe que "um mundo de gente chega da África do Sul" e, às vezes, o trem que passa pela cidade parte com mais de mil passageiros com destino a Maputo, a capital moçambicana.

Os atuais ataques contra estrangeiros na África do Sul, que começaram no último dia 11 em vários bairros pobres de Gauteng (onde ficam Johanesburgo e Pretória) e depois se estenderam a outras províncias sul-africanas, tiveram como alvo principal moçambicanos e zimbabuanos, embora alguns habitantes dessas localidades também tenham sido vítimas.

A onda de xenofobia, que deixou mais de 40 mortos e foi condenada por várias organizações humanitárias internacionais e agências da ONU, despertou um sentimento de indignação entre os moçambicanos.

Em Maputo, mensagens de telefone celular pedem que a população de Moçambique boicote os negócios no lado sul-africano da fronteira, especialmente em Nelspruit, a principal cidade da África do Sul que há na região.

"Se não servimos, nosso dinheiro também não serve", diz uma das mensagens, que também circulam por e-mails.

Os ataques contra os moçambicanos que vivem na África do Sul fizeram surgir o medo de atos de represália contra sul-africanos em Moçambique. Por conta disso, autoridades locais montaram um forte esquema de segurança ao redor da embaixada sul-africana na capital.

A possibilidade de retaliações também preocupa pessoas de outras nacionalidades em Moçambique, que temem ser confundidas com sul-africanos.

Em Maputo, comerciantes indianos, paquistaneses, nigerianos e somalis têm medo de suas lojas serem atacadas por aqueles que tiveram que voltar da África do Sul, muitos deles após perderem suas casas, veículos e outras propriedades. EFE rb/sc

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