Sobe para 799 o número de mortos em terremoto no Chile

O número de mortos no terremoto no Chile subiu para 799, segundo os dados apresentados nesta quarta-feira pelo Escritório Nacional de Emergência (Onemi) do país.

iG São Paulo |

A região de Maule foi a que registrou mais mortes: 587, no total. Mas corpos também foram recolhidos nas localidades de Bío-Bío (92), O'Higgins (38) - na Região Metropolitana de Santiago -, Valparaíso (20) e Araucanía (14).

Reforço nas buscas

Equipes de resgate trabalhavam com cães farejadores na quarta-feira nas cidades e povoados chilenos mais castigados pelo terremoto na esperança de encontrar sobreviventes quatro dias após o tremor que devastou o país.

Com a chegada da ajuda agora mais organizada, as equipes de resgate reforçaram as buscas nas áreas entre Concepción e Constitución, no norte, para tentar achar sobreviventes presos sob os escombros.

O número de mortos deve aumentar, considerando os relatos de que o número de desaparecidos chegaria a 500 só em Constitución.

As autoridades alertaram que muitos dos desaparecidos poderiam ter fugido em busca de segurança e estariam sem conseguir comunicação com seus familiares por causa dos danos sofridos pelas linhas telefônicas.

Segurança

Policiais e soldados acionados para tentar conter os saques e a violência nas áreas afetadas conseguiram manter a ordem na cidade de Concepción, 115 quilômetros ao sudeste do epicentro do sismo.

O toque de recolher permanecia vigente em Concepción, uma das várias cidades e povoados onde soldados patrulhavam as ruas para manter a ordem e assegurar a distribuição apropriada de água e alimentos.


Soldado patrulha rua de Concepción / AP

Críticas ao governo

Muitos chilenos denunciam que dezenas de mortes poderiam ter sido evitadas se o governo tivesse dado uma resposta mais vigorosa ao sismo, que desencadeou um poderoso tsunami poucas horas depois, deixando muitos mortos na costa.

O governo da presidente Michelle Bachelet reconheceu que as ações de resgate foram lentas, em parte por causa das rodovias interditadas, pontes que despencaram e cortes de energia.

Mas autoridades também calcularam mal a magnitude dos estragos, rejeitando inicialmente as ofertas de ajuda internacional.


Ajuda começa a ser distribuída em Concepción / AFP

Estragos na economia

A tragédia atingiu o Chile, principal produtor de cobre do mundo e país que detém a economia mais estável da América Latina, no momento em que tentava se recuperar da recessão causada pela crise financeira global.

Alguns analistas estimam que os estragos pelo terremoto poderiam custar ao Chile até US$ 30 bilhões, ou cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas Bachelet enfatizou que ainda é cedo para quantificar o dano no momento em que o foco se mantém nas ações de assistência.

A tragédia representa um grande desafio para o empresário Sebastián Piñera, que assumirá a presidência do Chile no dia 11 de março.

Piñera baseou sua campanha em promessas de aumentar o crescimento econômico em uma média de 6% anual e criar milhões de novos empregos. O presidente eleito declarou que o terremoto não alterou seus objetivos econômicos.


*Com EFE, Reuters e BBC

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