Sobe para 723 o número de mortos no terremoto do Chile

Subiu para 723 o número de mortos no terremoto que atingiu o Chile neste sábado. Segundo o governo do país, 19 pessoas estão desaparecidas.

iG São Paulo |


O Escritório Nacional de Emergência (Onemi, na sigla em espanhol) informou que a maior parte das mortes aconteceu na região de Maule, onde 544 pessoas faleceram e quatro estão desaparecidas. Na região de Bío-Bío, o número de mortos continua em 64.

As equipes de socorro tentam resgatar as pessoas presas entre os escombros em cidades como Concepción, Talcauano, Curicó, San Javier, Linares e Talca, e para esta segunda-feira se espera a chegada dos primeiros envios de ajuda humanitária internacional.

No domingo, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou medidas de emergência para ajudar as vítimas, entre elas a declaração de "zona de catástrofe" para as regiões de Maule e Bío Bío, onde está Concepción, segunda maior cidade do país e uma das mais atingidas pelo tremor.

AP
Destruição é vista na cidade chilena de Pelluhue

Destruição é vista na cidade chilena de Pelluhue

A Força Aérea do Chile vai levar suprimentos para as duas áreas e os militares vão assumir a liderança da distribuição. Produtos básicos serão entregues de graça, mas os pontos de entrega ainda terão que ser decididos.

Um toque de recolher também foi determinado para as duas regiões. Em Concepción, violações do toque de recolher causaram uma morte e 55 prisões.

Saques

O Exército foi enviado à Concepción para ajudar a polícia local, depois que o comércio foi alvo de saques.  Os moradores saquearam o supermercado Líder, da rede americana Wal-Mart. Grande parte levou alimentos e artigos de primeira necessidade, embora outros tenham aproveitado para roubar eletrodomésticos, televisores e equipamentos de som.

Gás lacrimogêneo foi usado para dispersar os saqueadores. Depois, a própria polícia autorizou a entrada de mulheres para que pegassem comida, leite, fraldas, papel higiênico e outros produtos básicos.

Serviços reabertos

Em meio às dificuldades, o país tenta voltar à normalidade . O aeroporto da capital, Santiago, foi reaberto no domingo para receber voos internacionais. As decolagens ao exterior, no entanto, devem ser retomadas só na sexta-feira, 5 de março .

Autoridades também informaram que o serviço de transportes públicos está retornando ao normal. Uma linha de metrô em Santiago foi reaberta, assim como as estradas, embora os motoristas ainda precisem passar por vários desvios.

"Infelizmente, nós, chilenos, temos experiência com terremotos", disse o embaixador do país em Londres, Rafael Moreno. "Restauramos os serviços em Santiago e a energia na maior parte do país, mas ainda está problemático em Concepción. Há água potável - um elemento crucial após um terremoto - e estamos cuidando dos feridos."

Ele disse que as escolas, que deveriam retomar as aulas na segunda-feira, permanecerão fechadas por "outros quatro ou cinco dias".

Resgate

Apesar da reabertura de estradas e do aeroporto de Santiago, os grandes danos causados pelo tremor ainda estão impedindo os trabalhos das equipes de resgate e há muita dificuldade para se chegar aos que ainda estão soterrados nos escombros.

AP

Bombeiros trabalham no resgate às vítimas de tremor

Grupos de resgate usam pás e marretas para tentar encontrar sobreviventes em meios aos escombros. Em Concepción, onde um prédio se partiu pela metade, 26 pessoas foram encontradas com vida no domingo.

A dificuldade de movimentação impede que a ajuda humanitária seja entregue a muitos que precisam, como moradores da ilha de Juan Fernandez, onde cinco pessoas morreram.

Para complicar a tarefa, após o terremoto principal, dezenas de "réplicas", ou tremores secundários, atingiram o Chile. Em 48 horas foram registrados pelo menos 140 novos abalos .

Danos e prejuízos

Cerca de 1,5 milhão de residências foram danificadas, assim como estradas e pontes, em um duro golpe à infraestrutura do maior produtor de cobre do mundo e uma das economias mais estáveis da América Latina. O prejuízo econômico causado pelo desastre estaria entre 15 e 30 bilhões de dólares informou a empresa de análise se risco Eqecat.

Em cidades costeiras, como Talcahuano , perto de Concepción, tsunamis gerados pelo tremor destruíram instalações portuárias e a infraestrutura próxima do mar. Em Curicó, a 180 km ao sul de Santiago, cerca de 90% do centro histórico foi destruído.

Em Santiago, o tremor arrancou varandas de edifícios, derrubou pontes, deixou fábricas em chamas e moradores desabrigados e sem eletricidade e sistema telefônico. Além disso, pelo menos três hospitais desabaram.

Brasil

Até o momento, não há informações sobre brasileiros mortos ou feridos no terremoto, segundo a Embaixada Brasileira no Chile. No domingo, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou em Brasília trazendo 12 brasileiros , sendo nove civis e três militares, que estavam no país.

Nesta segunda, o governo brasileiro anunciou que vai enviar ao Chile um hospital de campanha da Marinha e equipes de busca e salvamento da Defesa Civil. "Data, local de embarque e área de destino serão definidos após contatos com o governo chileno", informou a Presidência da República em comunicado.

Os serviços consuladores do Brasil no Chile foram transferidos do 15º andar de um prédio no centro da capital do país para o Centro Cultural Brasil Chile, que fica na Alameda 1650 . O local não tem telefone fixo, mas há um celular para o qual os interessados podem ligar para conseguir mais informações: (569) 9334-5103.

Custo humano

O terremoto foi o quinto mais forte desde 1900, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Mas, apesar da destruição, o número de mortos é muito menor que o do terremoto que devastou o Haiti em janeiro (mais de 220 mil).

Especialistas disseram que o Chile, localizado em uma das zonas mais sísmicas do planeta, estava melhor preparado . Ainda assim, dezenas de pessoas continuam desaparecidas, principalmente em Juan Fernández, uma ilha a 600 quilômetros da costa chilena, onde um povoado foi arrasado por ondas que invadiram até 300 metros de terra firme.

O Chile, localizado na intersecção de duas placas geológicas, foi arrasado no passado por outros terremotos. O maior teve 9,6 graus e devastou a cidade de Valdivia em 1960 .


Com EFE, Reuters e BBC

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