Sobe para 156 o número de mortes após confrontos étnicos na China

PEQUIM - O número de mortos nos tumultos registrados na região chinesa de Xinjiang subiu para 156, anunciou a agência de notícias oficial Xinhua, citando as autoridades locais.

Redação com agências internacionais |

As cifras divulgadas pela manhã falavam em 140 mortos e 828 feridos nos distúrbios durante protestos de separatistas da etnia uigur muçulmana, no domingo.

Milhares de pessoas participaram das manifestações de domingo na capital regional. A agência oficial de notícias Xinhua (Nova China) informou que o balanço de mortes pode aumentar nas próximas horas. Mais de 800 pessoas ficaram feridas, segundo a agência.


TV estatal exibiu imagens de civis feridos / Reuters

O canal de televisão estatal CCTV exibiu imagens dos confrontos que mostram civis ensanguentados. As imagens também mostram carros e ônibus em chamas.

Uma chinesa da etnia han declarou que 3 mil uigures protestaram no domingo na região, alguns deles armados com pedaços de pau e facas.

O governo regional de Xinjiang informou que uma investigação inicial mostra que a violência foi organizada pelo separatista Congresso Mundial Uigur, dirigido por Rebiya Kadeer.

Os uigures exilados acusam as forças de segurança chinesas de uma repressão brutal, exagerada, para sufocar um protesto pacífico de milhares de pessoas e afirmam que a polícia abriu fogo de modo indiscriminado.

Patrulhas nesta segunda-feira

Nesta segunda-feira, a polícia antidistúrbios e outras unidades de segurança, armadas com metralhadoras e usando escudos, patrulhavam Urumqi para evitar mais protestos.


Chineses observam carro queimado após distúrbios / AFP

Várias áreas do bairro muçulmano da capital regional estavam fechadas pela polícia.

Os protestos lembram os que explodiram em março de 2008 no Tibete, quando os tibetanos atacaram em Lhasa membros da etnia han em protesto pela repressão chinesa.

A maioria dos 8,3 milhões de uigures, muçulmanos de língua turca - acusados por Pequim de organizar uma luta separatista violenta na região autônoma de Xinjiang -, afirmam que sofrem uma perseguição política, cultural e religiosa.

Assim como no Tibete, também reclamam que os habitantes da etnia han se instalaram em Xinjiang e passaram a dominar a vida política e econômica da região.

A região de 20 milhões de habitantes tem 47 etnias. Os han passaram de 6% da população a 40% dos habitantes com a política de desenvolvimento estimulada por Pequim nos anos 1990. A região, árida e pobre, abriga a bacia de Tarim, a principal reserva de combustíveis do país.


Chineses observam destroços após confrontos / AP

EUA mostram preocupação

Alim Seytoff, secretário-geral da Associação Uigur dos Estados Unidos, culpou as autoridades chinesas pela violência.

Seytoff afirmou que estudantes uigures estavam em uma manifestação pacífica contra a prisão de pessoas suspeitas de envolvimento em um episódio de caráter étnico que terminou com morte de dois uigures, mês passado, em uma fábrica do sul da China.

Segundo testemunhas em Urumqi, a manifestação começou de modo pacífico e rapidamente passou à violência.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a China diálogo e respeito às liberdades de reunião e informação.

O ano de 2009 marca os 60 anos da libertação pacífica da região pelas tropas da China, na visão oficial de Pequim.

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