Sob rumores de golpe, premiê tailandês quer tropas nos quartéis

Por Nopporn Wong-Anan BANGCOC (Reuters) - O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, ordenou nesta quinta-feira aos militares que permaneçam nos quartéis, num momento em que o país vive sob intensos rumores de um golpe e os protestos contra o governo em Bangcoc ficam cada vez mais violentos.

Reuters |

O porta-voz governamental Nattawut Saikuar desmentiu boatos de que Somchai vá demitir o comandante do Exército, general Anupong Paochina, que na véspera sugeriu ao premiê que renuncie e convoque eleições antecipadas.

"As tropas devem permanecer em seus quartéis, e o primeiro-ministro não vai demitir ninguém," declarou Nattawaut.

Nesta quinta-feira, o premiê declarou estado de emergência em dois aeroportos de Bangcoc ocupados por manifestantes anti-governo, de acordo com o vice-ministro de Agricultura, Thirachai Sankaew. A decisão foi tomada após uma reunião de emergência do gabinete, disse ele à Reuters.

Diversos setores da sociedade cobram uma intervenção militar para evitar uma confrontação civil no país. A imprensa local especula que o primeiro-ministro poderia estender o estado de emergência para todo o país por causa dos rumores de um golpe militar.

Um oficial de alta-patente disse à Reuters, sob anonimato, que seus soldados estão "100 por cento de prontidão".

A crise política na Tailândia já dura três anos, mas se agravou muito desde segunda-feira, quando a Aliança Popular pela Democracia (APD) iniciou sua "batalha final" contra o premiê, a quem acusa de ser um fantoche do seu antecessor e cunhado, Thaksin Shinawatra, derrubado pelos militares em 2006.

O aeroporto internacional Suvarnabhumi, um dos maiores da Ásia, continua ocupado pela oposição pelo terceiro dia consecutivo, o que deixa milhares de turistas retidos, pois todos os vôos foram cancelados.

Os manifestantes também cercam o antigo aeroporto Don Muang, que opera vôos domésticos, o que na prática deixa esta cidade de 8 milhões de habitantes praticamente inacessível por via aérea.

"Entendemos que isso tenha afetado algumas empresas privadas, mas a causa do problema é este governo", disse o dirigente oposicionista Somsak Kosaisuk a jornalistas no Don Muang.

"Sabemos que este governo está chegando ao fim", acrescentou Somsak, cujo grupo desafiou uma liminar expedida na noite de quarta-feira obrigando à desocupação dos aeroportos.

Somchai disse que o governo vai avaliar "medidas" não-especificadas contra a APD, o que alimenta as especulações sobre a decretação do estado de emergência em Bangcoc. Como já aconteceu na última emergência, em setembro, o Exército parece relutar em agir contar a APD.

"Se o governo insistir em dispersar a multidão, o Exército vai se reunir novamente para encontrar novas medidas. Já temos um plano de contingência", disse o coronel Sunsern Kaewkumnerd a jornalistas.

Falando em rede de TV na quarta-feira, Somchai lembrou que seu governo foi democraticamente eleito e continuará trabalhando "pelo bem do país".

(Reportagem adicional de David Fox e Ed Cropley)

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