O governo de Taiwan aprovou uma visita ao país do líder espiritual tibetano Dalai Lama, numa decisão que pode irritar a China. O presidente Ma Ying-jeou concordou com um pedido de líderes da oposição para que o líder espiritual vá a Taiwan confortar as vítimas do tufão Morakot.

A China normalmente manifesta irritação com nações que recebem o Dalai Lama, tido como um perigoso separatista pelo governo chinês.

A viagem é particularmente polêmica, já que Pequim considera Taiwan e o Tibete parte de seu território.

Correspondentes da BBC na região dizem, no entanto, que talvez desta vez as críticas chinesas sejam menos veementes, porque as autoridades chinesas não querem fortalecer a oposição de Taiwan, que defende a independência.

Orações pelos mortos
Durante o governo anterior de Taiwan, o Dalai Lama visitou a ilha várias vezes - a visita mais recente, em 2001.

Mas o presidente Ma, que subiu ao poder em 2008, está muito mais próximo da China do que seu predecessor, Chen Shui-bian.

No ano passado, ele se recusou a dar permissão para uma visita do líder espiritual, dizendo que o momento não era adequado, já que seu governo estava trabalhando para melhorar relações com Pequim.

Mas o tufão e suas consequências deixaram Ma em uma situação difícil.

Cerca de 500 pessoas morreram nas inundações e deslizamentos de terra causados pelo tufão - o pior a atingir a região nos últimos 50 anos - e o governo de Ma vem sendo criticado por sua resposta lenta e pouco eficiente.

Sua popularidade caiu para apenas 20%, um recorde negativo no país, por causa da forma como ele lidou com o desastre.

Segundo a correspondente da BBC Cindy Su, em Taipei, o presidente teve de concordar com a visita do Dalai Lama porque não podia correr o risco de ferir ainda mais sua imagem e a de seu partido.

Portanto, após uma reunião de cinco horas com autoridades ligadas à segurança, decidiu aceitar o pedido da oposição.

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