Sob protestos, navio nuclear dos EUA chega ao Japão

Por Hiroyuki Muramoto YOKOSUKA, Japão (Reuters) - Centenas de pessoas protestaram nesta quinta-feira contra a chegada do porta-aviões nuclear norte-americano USS George Washington à sua nova base no Japão, único país a ter sofrido ataques com bombas atômicas na história.

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"Espero que seja estabelecido um sistema operacional seguro do porta-aviões, e que as simulações de emergência sejam realizadas", disse o governador de Kanagawa, Shigefumi Matsuzawa, à agência de notícias Kyodo.

O George Washington, que substitui um dos navios mais antigos em operação na Marinha dos EUA, ficará estacionado em Yokosuka, perto de Tóquio. O deslocamento coincide com um novo momento de tensão em relação ao programa nuclear da vizinha Coréia do Norte.

O novo primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, saudou a chegada do porta-aviões, dizendo a jornalistas que não há histórico de vazamentos em embarcações movidas a combustível nuclear no Japão.

"A situação que cerca o Japão atualmente, inclusive na península coreana, é difícil. Acho que esta embarcação nuclear é boa do ponto de vista da aliança de segurança EUA- Japão", disse o premiê.

A preocupação com a segurança foi salientada por um incêndio ocorrido em maio numa embarcação, e pela notícia, em agosto, de que durante dois anos um submarino nuclear dos EUA deixou vazar água com pequenos níveis de radiação em portos japoneses.

"Não dá para não pensar nos danos da radiação, por isso simplesmente não posso aceitar a vinda do porta-aviões", disse a dona-de-casa Rieko Kakei, de 70 anos, moradora de Yokosuka.

Os militares dos EUA dizem que o incêndio de maio, que durou 12 horas e deixou um marinheiro gravemente ferido, nunca representou uma ameaça ao reator nuclear do navio.

Parentes dos tripulantes do porta-aviões receberam-no com balões e cartazes, mas centenas de moradores e ativistas protestavam num parque próximo, sob o olhar da tropa de choque da polícia.

"Porta-aviões nucleares são perigosos, para começo de conversa. E o maior problema é que o governo absolutamente não tenta adotar nenhuma medida de segurança", disse por telefone o advogado Masahiko Goto, que participou da organização dos protestos.

"Somos nós que vamos conviver com o porta-aviões nuclear, então vamos pedir medidas de segurança mais rígidas... e também que seu envio seja cancelado."

(Reportagem adicional de Yoko Kubota)

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