Sob pressão, chefe da polícia da Flórida renuncia após morte de jovem negro

Bill Lee deixou cargo depois de críticas por não prender vigia que atirou contra Trayvon Martin, 17 anos, no fim de fevereiro

iG São Paulo |

O chefe de polícia na Flórida Bill Lee deixou o cargo temporariamente depois de ser amplamente criticado sobre a investigação da morte de um adolescente negro desarmado.

Lee recebia críticas de oficiais em Sanford, no subúrbio de Orlando, por não ter ordenado a prisão de um vizinho suspeito de estar envolvido na morte de Trayvon Martin. Lee e seus oficiais decidiram não prender o vigia da vizinhança George Zimmerman, 28 anos, pela morte de Martin, 17 anos, no dia 26 de fevereiro. Martin voltava de uma ida à loja de conveniência quando Zimmerman começou a segui-lo. Minutos depois, os dois começaram a brigar e Zimmerman sacou sua arma.

Reuters
Em Nova York, manifestantes saem às ruas para protestar contra morte de adolescente em Sanford (21/3)
Segundo Zimmerman, o tiro foi dado em legítima defesa. Ele disse à polícia que Martin o havia atacado depois que ele havia desistido de perseguir o adolescente e estava retornando para seu veículo.
O caso reavivou tensões raciais no subúrbio de Orlando. Grupos de direitos civis fizeram manifestações na Flórida e em Nova York, pedindo por justiça. Na quarta-feira, comissionários da polícia em Sanford deram a Lee um voto de “não confiança”.

“Eu devo deixar essa posição como chefe de polícia da cidade de Sanford temporariamente. Faço isso com esperança de restaurar alguma imagem de calma para a cidade palco de tumulto por muitas semanas”, disse Lee ao deixar o cargo. “Tenho esperança de que a investigação seja levada adiante rapidamente e de forma apropridada através do sistema de justiça, e que a determinação final neste caso seja alcançada.”

Comoção

A morte do jovem negro pelo vigia branco provocou indignação entre os americanos. Uma petição por justiça já recolheu mais de 1 milhão de assinaturas em meio a protestos contra impunidade.

Zimmerman, que considerou Trayvon "suspeito" por caminhar pelo bairro encapuzado em uma noite chuvosa, teve de abandonar o setor de condomínios fechados por causa dos pedidos de "justiça" da comunidade e de líderes afrodescendentes que pedem sua prisão. Seu paradeiro é desconhecido.

Mais de 1 milhão de pessoas, no ritmo de 50 mil assinaturas por hora, apoiaram uma petição online, pedindo acusações criminais contra Zimmerman, segundo a organização Change.org.

A aparente impunidade de Zimmerman ocorre com base na lei da Flórida que dá aos cidadãos o direito de atirar contra qualquer pessoa considerada uma ameaça à sua segurança em local público. A legislação foi aprovada em 2005, com o apoio do então governador Jeb Bush (irmão do ex-presidente George W. Bush) e impulsionada pela Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês).

A polícia de Sanford alegou em comunicado que "não pode deter ninguém a menos que se determine que houve uma causa provável de que o disparo foi ilegal", o que não foi determinado, já que Zimmerman afirma ter atirado para se defender e, portanto, está amparado pela lei.

O reverendo Al Sharpton, ativista pelos direitos civis nos Estados Unidos, se reunirá com os pais de Martin e representantes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que estão na cidade para realizar uma investigação conjunta com a promotoria da Flórida e o FBI (polícia federal dos EUA).

*Com AP e AFP

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