LONDRES - Em uma tentativa de diminuir a pressão para sua saída do governo, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, realizou nesta sexta-feira uma reforma ministeral após a renúncia de alguns de seus principais ministros. Não vacilarei. Não abandonarei. Seguirei fazendo o meu trabalho, disse Brown, ao negar que renunciaria ao cargo de primeiro-ministro.

O premiê convocou a imprensa nesta sexta-feira para explicar a remodelação que faz no Executivo, necessária após a renúncia de sete ministros nos últimos dias. A reforma é vista por analistas como a última oportunidade para Brown tentar recuperar a sua autoridade e silenciar o movimento por sua renúncia.


Gordon Brown discursa em Londres / Reuters

Os ministros da Defesa, John Hutton, e do Trabalho e Previdência, James Purnell, foram as mais recentes baixas do gabinete. Eles eram apontados como possíveis futuros líderes partidários. Hutton disse que mantém seu apoio a Brown e que pretende não se candidatar novamente ao Parlamento.

Já Purnell não escondeu suas críticas. "Acho agora que sua (Brown) continuada liderança torna uma vitória eleitoral conservadora mais provável, e não menos", disse ele em uma carta aberta a Brown. "Portanto, peço-lhe que fique à parte e dê ao nosso partido uma chance de lutar pela vitória."

Após admitir que o Partido Trabalhista sofreu uma "dolorosa derrota" nas eleições municipais inglesas realizadas ontem, Brown mostrou-se firme ao afirmar: "Não vacilarei. Não abandonarei. Seguirei fazendo o meu trabalho". "Se não achasse que sou a pessoa certa à frente da equipe adequada para enfrentar estes desafios, não estaria aqui", disse Brown em entrevista coletiva.

A reforma ministerial desta sexta-feira, a segunda em oito meses, pode ser a última chance de Brown para unir o partido. Já sua demissão, após apenas dois anos no cargo, aumentaria a pressão pela antecipação da eleição. As pesquisas apontam amplo favoritismo dos conservadores da na eleição geral. Os trabalhistas governam o país desde 1997.

"O governo está desmoronado diante dos nossos olhos", disse o líder conservador David Cameron em seu site, pedindo eleições antecipadas.

Crise e escândalo

O premiê atribuiu o atual descontentamento da população à crise econômica e ao recente escândalo envolvendo parlamentares. E, embora tenha admitido ter uma parcela de responsabilidade na crise que o Executivo enfrenta, deixou claro que não pretende deixar o governo.

Após anunciar a nova composição do executivo, Brown enumerou as medidas que pensa em aplicar para promover uma "limpeza" na vida política e "liderar o país na saída da crise".

Entre outras coisas, prometeu a criação de três comissões especiais, que se ocuparão, respectivamente, da reforma constitucional e do sistema parlamentar, da política nacional e das medidas econômicas necessárias contra a crise.

Para restabelecer a confiança no Parlamento, Brown antecipou a elaboração de um código de conduta e a constituição de um órgão independente que audite as despesas dos parlamentares. "A economia e a ética exigem força, determinação e caráter", disse Brown, que acrescentou: "Terminarei a tarefa".

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