LUANDA (Reuters) - O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, nomeou nesta quarta-feira o primeiro vice-presidente do país e novos ministros de Finanças, Mineração e Obras Públicas, numa grande reforma do governo depois da aprovação de uma nova Constituição. A Carta, aprovada em segunda votação pelo Parlamento na quarta-feira, substitui o cargo de primeiro-ministro por um vice-presidente e permite que Dos Santos continue governando o país -- como faz há 30 anos -- sem eleições diretas.

Numa reforma que já era amplamente esperada, Dos Santos nomeou Fernando Dias dos Santos, presidente da Assembleia Nacional e ex-premiê, para a vice-presidência, segundo nota da agência estatal Angop.

A medida deve alimentar as especulações de que Dias dos Santos, conhecido como Nando, está sendo preparado para assumir a presidência. Mas, embora as eleições só estejam programas para 2012, o partido governista MPLA já indicou que o presidente Dos Santos será candidato a um novo mandato.

"Nando tem sido o braço-direito do presidente há décadas, mas ninguém sabe se ele irá ser o sucessor", disse Alcides Sakala, porta-voz da Unita, principal partido da oposição. "A verdade é que o presidente Dos Santos quer permanecer no poder. Por isso ele mudou a Constituição desse jeito."

O Parlamento já havia aprovado a nova Carta em janeiro, mas a Corte Constitucional pediu vistas e fez algumas mudanças, que foram aprovadas na segunda votação parlamentar.

Uma mudança é que o presidente e o vice terão de ser o primeiro e segundo nomes na lista do partido vencedor de uma eleição parlamentar, em vez de serem apontados pelo partido depois da eleição.

Angola, ex-colônia portuguesa que tem vivido uma fase de prosperidade graças ao petróleo, é considerado o 18o país mais corrupto do mundo, segundo a entidade Transparência Internacional.

O país também é um grande produtor de diamantes e já foi um grande exportador de alimentos, mas uma guerra civil de 27 anos que se seguiu à independência levou a um êxodo em massa de agricultores. Hoje, Angola importa a maior parte da comida que consome.

(Reportagem de Paula Castro Lopo)

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