Rompimento implica que os investigadores não poderão realizar seu trabalho pessoalmente em Israel ou na Cisjordânia

Israel anunciou nesta segunda-feira o rompimento dos seus contatos com o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, que na semana passada decidiu investigar os assentamentos judaicos da Cisjordânia .

Imagem mostra assentamento israelense de Qedar, na Cisjordânia (02/11)
Reuters
Imagem mostra assentamento israelense de Qedar, na Cisjordânia (02/11)
Saiba mais: ONU aprova investigação de assentamentos na Cisjordânia

O rompimento, anunciado pela chancelaria de Israel, implica que os investigadores da ONU não poderão realizar seu trabalho pessoalmente no território israelense ou na Cisjordânia, que é um território palestino ocupado por Israel.

"Não estamos mais trabalhando com eles", disse o porta-voz Yigal Palmor. "Estávamos participando de reuniões, discussões, arranjando visitas a Israel. Tudo isso acabou."

Paul Hirschson, outro porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, disse que o Conselho "perdeu toda a credibilidade na área dos direitos humanos e não vale a pena cooperar com uma organização onde há pessoas como sírios e iranianos discutindo direitos humanos em outros países. Está totalmente fora da realidade".

A investigação internacional, solicitada pela Autoridade Palestina, foi aprovada na quinta-feira, e o único país do conselho a votar contra foram os Estados Unidos. Líderes israelenses disseram que o conselho age de forma hipócrita e tendenciosa contra Israel.

"Eles sistemática tomam todo tipo de decisão e condenação contra Israel sem nem simbolicamente considerarem nossas posições", queixou-se Palmor. Segundo ele, Israel vai continuar cooperando com outros órgãos da ONU.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu com dureza na quinta-feira ao anúncio da investigação, chamou o Conselho de Direitos Humanos de "hipócrita" e afirmou que o organismo "deveria se envergonhar de si mesmo".

Nesta segunda-feira, a presidente do conselho da ONU, Laura Dupuy Lasserre, disse que ainda não recebeu uma confirmação oficial da decisão, que chamou de "lamentável". "Embora não tenha recebido uma confirmação oficial, seria muito lamentável se fosse efetivamente o caso."

A uruguaia Dupuy Lasserre também pediu que Israel, que não é membro do Conselho, coopere com essa instância da ONU. "Não tenho dúvida alguma de que Israel se interessa em cooperar com o Conselho de Direitos Humanos sobre essa missão de investigação, ao menos para que possa explicar suas próprias políticas e ações aos comissários independentes quando forem nomeados", disse.

*Com Reuters, AFP e EFE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.