Sob estrita supervisão, EUA entregam mais ajuda humanitária em Mianmar

Bangcoc, 13 mai (EFE).- Os Estados Unidos entregaram hoje mais ajuda para os afetados pela passagem do ciclone Nargis por Mianmar (antiga Birmânia), e receberam permissão para novos vôos, sem que isso represente uma mudança de postura da Junta Militar birmanesa, empenhada em controlar as operações humanitárias no país.

EFE |

O Governo americano enviou hoje 20 toneladas de cobertores, água, mosquiteiros e outros artigos de primeira necessidade em catástrofes como a causada pelo "Nargis". A ajuda se soma às 12,7 toneladas descarregadas na segunda-feira de caminhões militares birmaneses.

Um avião fretado pela ONG Visão Mundial Austrália aterrissou hoje em Yangun, após dois dias de viagem.

A ONG Save the Children também conseguiu fazer seu avião com ajuda humanitária aterrissar em Mianmar, e uma embarcação sua navegou no domingo pelo delta do rio Irrawaddy, no sul do país, a região mais castigada pelo ciclone.

Embora a ajuda comece a chegar a Mianmar com mais regularidade e em maior quantidade, e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) tenha anunciado que contratará cem caminhões para distribuir a ajuda entre os afetados, a ONU e as ONGs envolvidas na missão humanitária se sentem frustradas pela lentidão com que recebem permissões e vistos.

"Os vistos continuam sendo concedidos muito lentamente, a conta-gotas, e o acesso a algumas regiões está sendo muito difícil", disse María Eugenia Martín-Sanz Martínez, técnica da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid), que chegou a Bangcoc com a ajuda enviada pela Espanha.

O Escritório de Cooperação de Assistência Humanitária das Nações Unidas (Ocha, na sigla em inglês) disse hoje que 11 dias após a passagem do ciclone "Nargis" só conseguiram chegar até 270 mil pessoas.

A Ocha calcula que possa haver entre 63 mil e 102 mil mortos, 220 mil desaparecidos e quase 2 milhões de desabrigados.

Enquanto isso, a contagem do regime birmanês indica que o "Nargis" deixou 31.938 mortos e 29.700 desaparecidos.

Uma equipe de analistas da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) deve chegar a Mianmar hoje ou amanhã para elaborar um relatório sobre a situação no país, que servirá de consulta na reunião especial em nível ministerial que o bloco realizará no dia 19 em Cingapura.

"Este é um momento crucial para a Asean. Devemos estar à altura das circunstâncias", declarou o secretário-geral do grupo, Surin Pitsuwan, que afirmou que a Junta Militar de Mianmar deve ser pressionada para abrir completamente as portas do país à ajuda internacional.

A Asean é integrada por Mianmar, Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã, e estabeleceu em 2005 um acordo de cooperação em desastres naturais.

"Nunca é tarde para salvar vidas", acrescentou Pitsuwan, em entrevista publicada hoje pelo jornal tailandês "The Nation".

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) destacou que deveria se prestar atenção especial às crianças, principalmente porque o ano letivo começa em 1º de junho e cerca de 95% das escolas foram destruídas ou danificadas pelo ciclone, afetando 500 mil jovens.

A Save the Children calcula que pelo menos 40% das vítimas em Mianmar sejam crianças.

"No geral, o ideal é que as famílias voltem o mais rápido possível a viver como viviam antes do ciclone", disse Miguel Urquía, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), entidade que conseguiu entrar com dez aviões em Mianmar desde a tragédia.

"É preciso evitar alojamentos coletivos, acampamentos, e assim que for possível, voltar a suas regiões", acrescentou Urquía, que solicitou hoje o visto e espera que ele seja concedido "em não mais do que dois ou três dias". EFE fmg/wr/gs

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG