Sob críticas, polícia da Noruega começa a divulgar nomes de mortos

Quatro de 76 vítimas de ataque duplo de sexta são identificadas; polícia rejeita críticas à lentidão na resposta à ação terrorista

iG São Paulo |

A polícia da Noruega divulgou nesta terça-feira os nomes de quatro dos 76 mortos no duplo atentado contra a sede do governo em Oslo e contra a Ilha de Utoya na sexta-feira. Entre as quatro vítimas, cuja identificação foi confirmada oficialmente às famílias, estão três da explosão do carro-bomba em Oslo, que deixou oito mortos, e um no acampamento da ala juvenil em Utoya, onde morreram 68 (segundo número revisto pela polícia na segunda-feira) .

No dia em que começou a identificar as vítimas, a polícia defendeu sua reação ao ataque duplo, cujo autor confesso é o norueguês Anders Behring Breivik , de 32 anos. Uma equipe armada da Swat levou mais de uma hora para chegar à ilha, onde o atirador disparou por 90 minutos com projéteis de alto poder destrutivo .

Além disso, há relatos de que a polícia desdenhou das primeiras chamadas de emergência desde o acampamento e não se dirigiu à ilha de helicóptero, mas de carro e depois de barca, o que atrasou a detenção de Breivik e agravou a tragédia.

"Não penso que poderíamos atuar mais rapidamente", disse o chefe policial Johan Fredriksen em Oslo. Previamente, o ministro norueguês da Justiça, Knut Storberget, defendeu a resposta policial caracterizando como "fantástico" o trabalho das forças de segurança. Storberget não descartou, no entanto, a possibilidade de produzir uma investigação posterior sobre a atuação policial. "É muito importante termos uma abordagem aberta e crítica, mas há um tempo para tudo", disse.

Sob críticas pela reação aos ataques, Fredriksen rejeitou as críticas feitas ao fato de que os tripulantes do único helicóptero do departamento de polícia estarem de folga no dia dos ataques . Segundo ele, o helicóptero era somente usado para propósitos de observação e não afetaria a reação ao ataque do atirador.

Vítimas identificadas

A vítima do ataque a tiros na ilha foi identificada como Gunnar Linaker, de 23 anos, enquanto os mortos do ataque em Oslo são Tove Ashill Knutsen, de 56 anos, Hanna M Orvik Endresen, de 61, e Kai Hauge, de 32.

De Bardu, no norte da Noruega, o pai de Gunnar disse à Associated Press que falou com o filho ao telefone quando começou o ataque de Breivik. "Ele me disse: 'Pai, pai, alguém está atirando', e então desligou", disse Linaker. Nesta terça-feira, a BBC publicou a troca de mensagens de SMS que uma filha manteve com sua mãe por quase duas horas .

Além dos nomes divulgados pela polícia, sabe-se que o ex-policial Trond Berntsen , de 51 anos, Trond Bernsten, 51 anos, filho do segundo marido da mãe da princesa Mette-Marit, estava entre os mortos. Tore Eikeland, de 31 anos, também foi apontado como um dos mortos no local pelo primeiro-ministro Jens Stoltenberg. "Ele era um dos nossos políticos mais talentosos", disse no domingo.

Duas horas antes da divulgação dos primeiros nomes, um porta-voz afirmou que, desde esta terça-feira, serão divulgados diariamente novos nomes por meio da internet, explicando que o processo é lento porque as famílias devem ser notificadas antes.

Diferentemente de outras ocasiões, em que apontaram um total de cinco desaparecidos, as forças de segurança preferiram não divulgar números específicos sobre esse índice.

'Insano'

Nesta terça-feira, Geir Lippestad , advogado de Breivik, disse que seu cliente é provavelmente insano . "Todo esse caso indica que ele é insano", afirmou, acrescentando que uma avaliação médica deve ser realizada para estabelecer suas condições psiquiátricas.

AP
Geir Lippestad, advogado de Anders Behring Breivik, autor confesso do duplo atentado da Noruega
Apesar disso, Lippestad afirmou que ainda é cedo para saber se seu cliente, que disse ter consumido "algumas drogas" para estar "forte, eficiente e alerta" no dia dos ataques, entrará com uma alegação de insanidade mental na justiça para se defender. Segundo o advogado, o acusado poderia se opor à ideia por acreditar ser o único "que compreende a verdade".

Na primeira audiência sobre o caso, na segunda-feira, o juiz Kim Heger indiciou o acusado por atos de terrorismo , anunciando que o extremista ficará sob custódia por oito semanas, das quais quatro em total isolamento. Por essa acusação, segundo a lei norueguesa, Breivik pode ser sentenciado a um máximo de 21 anos de prisão. Essa sentença poderia, no entanto, ser estendida se o condenado for considerado perigoso para a sociedade.

Nesta terça, o promotor da polícia norueguesa, Christian Hatlo, disse que se estuda a possibilidade de acusar o autor dos ataques de crimes contra a humanidade . Se for apresentada a acusação de crimes contra a humanidade, que faz parte do Código Penal da Noruega desde 2008 e incluiria perseguição de um grupo com base em conceitos políticos, a pena máxima pode ser de 30 anos de prisão.

*Com BBC e AP

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