Sob críticas, papa visita locais sagrados de Jerusalém

Por Douglas Hamilton e Jeffrey Heller JERUSALÉM (Reuters) - O presidente do Parlamento de Israel acusou nesta terça-feira o papa Bento 16, que é alemão, de se mostrar alheio ao sofrimento dos judeus no Holocausto nazista.

Reuters |

Numa visita já marcada por críticas, o pontífice rezou no Muro das Lamentações e visitou a mesquita do Domo da Rocha, locais sagrados de Jerusalém. Na descrição de um colunista israelense, ele se mostrou "contido, quase frio".

Citando o fato de Bento 16 ter pertencido quando adolescente à Juventude Hitlerista e de ter servido ao Exército alemão, o presidente do Knesset, Reuven Rivlin, repreendeu o papa por seu pronunciamento de segunda-feira no Yad Vashem, memorial que homenageia os 6 milhões de judeus mortos pelos nazistas.

"Ele veio até nós e nos disse como se fosse um historiador, alguém olhando de fora, sobre coisas que não deveriam ter acontecido. E o que se poderia fazer? Ele era parte (dessas coisas)", disse Rivlin à Rádio Israel.

Na cerimônia no memorial, o papa falou da "horrível tragédia da 'shoah' (Holocausto, em hebraico)", mas frustrou alguns líderes religiosos judaicos que esperavam um pedido de desculpas -- como alemão e como cristão -- pelo genocídio.

Numa aparente defesa do papa, o rabino-chefe de Israel, Yona Metzger, disse ter certeza de que Bento 16 subscreveria a oração deixada no Muro das Lamentações há nove anos por seu antecessor, João Paulo 2o, em que ele pedia perdão pelo sofrimento provocado aos judeus durante séculos.

Na oração deixada num nicho entre as pedras, o atual papa citou em termos gerais "o sofrimento e a dor de todos os povos pelo mundo" e pediu a paz no Oriente Médio.

Rivlin disse que "com o devido respeito à Santa Sé, não podemos ignorar o ônus que ele carrega, como um jovem alemão que aderiu à Juventude Hitlerista e como uma pessoa que aderiu ao Exército de Hitler, que foi um instrumento de extermínio."

Seguidores do papa alegam que a adesão à Juventude Hitlerista era compulsória e que ele foi recrutado para o Exército, do qual desertou no final do conflito.

No Domo da Rocha, o papa encontrou o grão-múfti, principal clérigo islâmico palestino, e lembrou as raízes comuns do Judaísmo, do Cristianismo e do Islã.

O Domo fica no local onde as três religiões monoteístas acreditam que Abraão preparou o sacrifício do seu filho a Deus, antes de ser contido por um anjo.

Após encontro com os rabinos-chefes de Israel, o papa rezou no local da Última Ceia de Cristo. Ainda na terça-feira, ele celebraria missa campal no Jardim de Getsêmani.

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