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Sob ameaça de impeachment, Musharraf pede reconciliação

Em meio a uma crise da base aliada que pode resultar em seu impeachment, o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, pediu nesta quarta-feira aos paquistaneses que enterrem suas diferenças para buscar estabilidade política e desenvolvimento econômico no país.

BBC Brasil |

Em um discurso transmitido pela TV por ocasião do 61º aniversário de independência nacional, Musharraf apelou para uma "reconciliação" entre as diferentes facções políticas do país.

"Faço um apelo a todos elementos que adotem uma abordagem de reconciliação, de forma que haja estabilidade política e possamos confrontar com firmeza os problemas reais que o país enfrenta", afirmou Musharraf.

"Nossos adversários estão tentando desestabilizar o Paquistão em diversas frentes, tanto interna quanto externamente", prosseguiu.

Ele disse que o país enfrenta uma "fase difícil da história", mas "nunca esteve tão forte".

Segundo o repórter da BBC em Islamabad, Mark Dummett, o governo precisa enfrentar desafios como a elevação nos preços de alimentos e combustíveis, a desvalorização da moeda, a rúpia paquistanesa, e uma campanha de militantes ao longo da fronteira noroeste com o Afeganistão.

Impeachment

As declarações de Musharraf são dadas em meio à pressão crescente da própria coalizão de governo, que na semana passada concordou com o início dos procedimentos de impeachment contra ele, por corrupção e abuso de poder.

Na quarta-feira, as assembléias de três províncias - Punjab, Sindh e Fronteira Noroeste - aprovaram resoluções a favor do impedimento presidencial.

Em Sindh, o placar legislativo foi 93 a 0. Espera-se que outros legislativos regionais tomem decisões semelhantes.

Musharraf já havia dito que prefere renunciar a enfrentar os procedimentos de impeachment. O presidente tem a prerrogativa de dissolver o Parlamento, mas muitos analistas crêem que ele não a utilizará.

O general chegou ao poder através de um golpe em 1999, entregando o poder ao Exército no ano passado. A coalizão ocupa o governo desde fevereiro.

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