Sob acusações, Ahmadinejad presta depoimento ao Parlamento no Irã

Na 1ª convocação desde a Revolução Islâmica, presidente teve de responder a acusações de má gestão econômica e nomeações ilegais

Reuters |

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi convocado nesta quarta-feira ao Parlamento para um inédito questionamento relacionado a acusações de má gestão econômica e nomeações ilegais.

Menos de duas semanas após seus partidários serem derrotados nas eleições parlamentares , Ahmadinejad se tornou o primeiro presidente na história da República Islâmica de 1979 a ser convocado diante do Legislativo , que tem poderes para destituí-lo.

Facções tradicionalistas que expressam lealdade total ao aiatolá Ali Khamenei, dirigente máximo do regime islâmico, há meses tentavam convocar Ahmadinejad ao Parlamento, acusando-o de desafiar repetidamente a autoridade do líder supremo.

Animada com seu sucesso sobre o grupo de Ahmadinejad na votação deste mês, essa ala finalmente teve a chance de interrogar o presidente sobre a situação econômica - com estagnação e inflação alta - e sobre sua lealdade a Khamenei.

O deputado Ali Motahari, presidente da sessão, perguntou por que Ahmadinejad passou vários dias em casa em abril, depois de Khamenei revogar a decisão presidencial de demitir o ministro da Inteligência. O sumiço foi visto por alguns como um protesto contra a ingerência.

Ahmadinejad respondeu num tom confiante e eventualmente petulante, o que não contribuiu para acalmar os ânimos na audiência transmitida ao vivo pela rádio estatal.

Sobre o afastamento de abril, respondeu: "Essa é uma daquelas coisas, Ahmadinejad ficar em casa e descansar. Alguns dos meus amigos me diziam repetidamente para descansar. Neste governo, o trabalho nunca foi interrompido nem por um dia."

Ele subestimou o significado histórico da convocação, dizendo que se trata de um direito do Parlamento. "Estava pronto para responder a perguntas antes da eleição. Mas achei que isso poderia ter um impacto nos resultados eleitorais, e então seria visto como culpado por isso. Eu sou o mais fácil de ser culpado."

Durante uma hora, Ahmadinejad respondeu também a perguntas sobre os problemas no financiamento para o metrô de Teerã e a veracidade das cifras governamentais que apontam a criação de 1,6 milhão de empregos em 2009 e 2010.

Após a audiência, o deputado Mohammad Taqi Rahbar disse à agência parlamentar de notícias que "as resposta de Ahmadinejad ... foram ilógicas, ilegais e uma tentativa de evitar respondê-las". "Com um tom insultuoso, Ahmadinejad tirou sarro das perguntas dos deputados e insultou o Parlamento", acrescentou.

O presidente também precisou explicar seus critérios para escolher ministros, após várias nomeações que desagradaram ao Parlamento, inclusive a dele próprio como ministro do Petróleo por um breve período.

O deputado reformista Mostafa Kavakebian, em fim de mandato, declarou: "O presidente não deu nenhuma resposta lógica e encarou tudo como uma piada."

Os ataques a Ahmadinejad por radicais de facções rivais se intensificaram depois da crise causada no ano passado pela demissão do ministro da Inteligência, no que críticos disseram ter sido um desafio a Khamenei e uma ameaça aos alicerces da República Islâmica.

Em 1981, o primeiro presidente do regime islâmico, Abolhassan Banisadr, foi alvo de impeachment e fugiu do país após ser acusado de ameaçar os novos fundamentos religiosos do Irã. 

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