Só ficaram as árvores, diz brasileiro sobre tsunami na Indonésia

Brasileiro que estava nas ilhas Mentawai narra momentos de tensão após terremoto seguido de tsunami

iG São Paulo |

O brasileiro Fábio Junqueira, 46 anos, passou por momentos de tensão na terça-feira, durante suas férias nas ilhas Mentawai, na Indonésia. O país foi atingido por um terremoto seguido de tsunami que matou mais de 300 pessoas.

Fábio, que não ficou ferido, estava dentro da cabana de um resort quando sentiu um tremor. Depois, ouviu um “forte ronco” vindo do mar e imediatamente correu para um lugar mais alto. “Estava dormindo e fui acordado pelo tremor. Ouvi um ronco crescente vindo do mar. Dei uma espiada, mas não esperei muito”, disse, em entrevista à Agência Brasil. “Cheguei em segundos. Não levei nada nas mãos. Todo mundo gritava 'sobe, sobe'”, relatou.

AFP
Imagem aérea mostra destruição causada por tsunami na ilha de Pagai, na Indonésia

O brasileiro estava no país há quase um mês. “Fui exclusivamente para surfar. Levei equipamento e tudo.” Segundo ele, o terremoto sentido em terra não foi capaz de derrubar a TV e os móveis da cabana, mas as ondas que seguiram o tremor destruíram todo o primeiro piso do resort onde estava hospedado. “Só ficaram as árvores”, contou.

Fábio afirmou que não houve aviso algum para os habitantes da região. Na rua, as pessoas gritavam a palavra terremoto, em pânico. “Estava pensando no que ia fazer. Pensei em colocar o colchão na rua, com medo de um tremor mais forte”, contou.

Após escapar das ondas, o brasileiro, acompanhado de outros turistas, esperou as águas baixarem e caminhou por cerca de dois quilômetros. “A água batia nos joelhos”, lembrou. Em um vilarejo próximo, o grupo foi resgatado por um lancha que ajudava vítimas da tragédia e levado para um local próximo mas que não havia sido atingido.

Fábio está em Jacarta, capital da Indonésia, e aguarda o voo de volta para o Brasil ainda nesta quinta-feira. A previsão é que ele chegue em São Paulo por volta das 17h, de onde segue para Florianópolis. Clínico-geral, ele mora no município de Imbituba (SC), conhecido por sediar campeonatos de surfe. Perguntado se voltaria ao país para surfar um pouco mais, ele responde: “Há lugares melhores. Ali é um cinturão de fogo. A frequência de tsunamis e terremotos não é pouca coisa.”

Segundo o brasileiro, a maioria das pessoas que passa férias em um lugar paradisíaco retorna para casa com uma certa tristeza e vontade de ficar um pouco mais. “Estava no paraíso das ondas, mas volto mais feliz porque vou ver meus entes queridos de braços abertos.”

Com Agência Brasil

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