Por François Murphy PARIS (Reuters) - Apenas 1 por cento dos franceses torcem pela vitória do candidato republicano John McCain nas eleições presidenciais norte-americanas do dia 4, e na Europa Ocidental como um todo existe uma clara preferência pelo democrata Barack Obama, segundo uma pesquisa divulgada na sexta-feira.

Nesse ano, McCain comparou ironicamente Obama a Paris Hilton por causa do tratamento de celebridade que o democrata recebeu na Europa, o que incluiu um discurso para uma multidão em Berlim.

A pesquisa Harris Interactive feita para o canal de notícias France 24 sugere que McCain teria dificuldades para atrair tanta gente na Europa caso desejasse.

Na França, 74 por cento torcem por Obama, 1 por cento torce por McCain e 5 por cento rejeitam ambos. Os demais estão indecisos.

Na Alemanha, Obama vence por 72-5 por cento.

"Os cinco maiores países europeus são unânimes em seu desejo de ver Barack Obama eleito, enquanto a taxa para John McCain é extremamente baixa", disse nota divulgada pelos pesquisadores, que ouviram 6.276 adultos na Espanha, Itália, França, Grã-Bretanha e Alemanha, e também nos EUA.

A reação de franceses e alemães é coerente com a oposição da opinião pública e dos governos desses países contra a guerra do Iraque, em 2003. Mas, mesmo em países que participaram do conflito, parece haver pouco apetite por mais um mandato republicano.

Na Grã-Bretanha, cujo governo trabalhista se tornou o mais sólido aliado do presidente George W. Bush, Obama supera McCain por 48-11 por cento das preferências.

A Itália, que sob o primeiro-ministro Silvio Berlusconi enviou tropas para o Iraque, trouxe recentemente esse conservador de volta para o governo, mas mesmo assim a opinião pública prefere Obama - 66-12 por cento.

Na Espanha, que foi à guerra do Iraque contrariando o desejo da população, o democrata vence por 68-8 por cento.

O principal motivo identificado pelos entrevistados de França, Alemanha e Espanha para preferirem Obama é "sua capacidade de mudar as políticas do governo Bush". Os britânicos citaram acima de tudo "os valores que ele representa", e os italianos optaram por "sua juventude".

Na França, na Alemanha e na Itália, McCain é rejeitado especialmente por "suas políticas". Os espanhóis discordam dos "valores que ele representa", e os britânicos citaram "a escolha da sua vice-presidente".

Mas é sempre bom lembrar que os estrangeiros não votam nessa eleição, e nos EUA a pesquisa deu a Obama uma vantagem de 10 pontos percentuais, semelhante aos números de outras pesquisas.

Dos 1.064 norte-americanos entrevistados, 42 por cento apóiam Obama, e 32 por cento apóiam McCain. Há 8 por cento de indecisos, e 18 por cento que dizem não apoiar nenhum.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.