Kathy Seleme Beirute, 9 mai (EFE) - A oposição libanesa, liderada pelo Hisbolá, se apossou, em menos de 48 horas, das ruas de Beirute sem encontrar muita resistência, o que traz dúvidas sobre o destino que aguarda o Líbano. Os confrontos, que até agora deixaram pelo menos 13 mortos e 32 feridos, foram interrompidos às 12h (hora local) na capital, após o Hisbolá e seus aliados xiitas terem obtido o controle de todas as ruas do oeste de Beirute, de maioria muçulmana. No entanto, a tensão se estendeu a outras zonas do país, como nos arredores da capital, onde duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas em confrontos, ou a cidade de Trípoli (norte), onde partidários da maioria protestaram contra o Hisbolá. Em Beirute, os membros da oposição atacaram e obrigaram à evacuação dos funcionários dos veículos de comunicação da família de Saad Hariri, líder da maioria parlamentar, como a televisão Future e o jornal Al Mustaqbal. A antiga sede do canal de televisão, no distrito de Hamra, ficou completamente queimada pelo ataque de supostos milicianos do Partido Nacional Social da Síria, na órbita de Damasco, mas a legenda emitiu um comunicado para desmentir sua participação. Além disso, as forças da oposição cercaram os escritórios e as casas dos principais dirigentes da maioria, que passaram à custódia do Exército. As Forças Armadas têm muito prestígio por serem consideradas a única instituição independente do país. Por isso, limitaram sua miss...

No entanto, os temores de que o Exército se divida em linhas confessionais, como já ocorreu em 1976, não desapareceram, assim como o medo de uma guerra civil aberta, como aconteceu então.

As Forças de 14 de Março, pilar do Governo anti-sírio de Fouad Siniora, pediram ao Exército para agir perante o que qualificaram de "um golpe de Estado contra a legitimidade e a coexistência".

Em comunicado lido pelo líder cristão Samir Geagea, as Forças vão pedir aos militares que protejam "as almas dos libaneses e suas propriedades".

A coalizão anti-síria se reuniu na casa de Geagea em Beirute para analisar suas opções, que, para o Hisbolá, se reduzem a uma: que o Governo volte atrás na ordem de colocar fim à rede de telecomunicações da milícia.

O Executivo tomou na terça-feira passada a decisão de eliminar a rede de telecomunicações do grupo xiita, o que seu líder, Hassan Nasrallah, qualificou na quinta-feira como "uma declaração de guerra".

A vitória no terreno do Hisbolá, que deixou clara a arrasadora superioridade militar de sua milícia sobre as forças da maioria, abriu um cenário incerto no Líbano.

Apesar das palavras de um dos grandes aliados do Hisbolá, o cristão Michel Aoun, que disse que esperava que até a noite a cidade tivesse recuperado a normalidade, o certo é que homens encapuzados e armados continuavam andando por uma Beirute quase fantasma.

A imprensa libanesa, que citou fontes diplomáticas árabes, informaram que Siniora está estudando a possibilidade de renunciar perante a impossibilidade de encontrar uma solução.

No entanto, o ministro de Juventude e Esporte, o druso Ahmad Fatfat, rejeitou essa opção, ao considerar que "um vazio não pode ser substituído por outro", em referência a que no Líbano não há presidente e a única autoridade existente é o Governo.

"O que aconteceu nestes três últimos dias em uma guerra aberta.

Nós tentamos chegar a um acordo, mas todas nossas propostas foram rejeitadas", disse Fatfat.

As próximas horas podem ser fundamentais para o futuro do Líbano, que continua na beira do precipício de uma guerra fratricida. EFE ks/db

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