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Situação no Haiti é catastrófica , diz Cruz Vermelha

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou nesta segunda-feira que a situação no Haiti é catastrófica. Segundo a organização, a população está cada vez mais agressiva pela falta de água e comida, e os corpos começaram a ser incinerados em valas improvisadas nas ruas de Porto Príncipe, capital do país.

EFE |


A organização humanitária afirmou que a "indiferença está aparecendo". Segundo a organização, "as pessoas começaram a tirar os corpos de frente das portas" e testemunhas denunciam a cremação improvisada de corpos na mesma cidade.

Além disso, "a busca de corpos parece ter terminado", enquanto as pessoas buscam entre os escombros qualquer coisa que possa ser útil.

O CICV ressaltou que a situação sanitária nos improvisados acampamentos de desabrigados continua se deteriorando, o que aumenta o risco de surto de doenças.

A organização está abastecendo água para 7,5 mil pessoas em três acampamentos e instalou banheiros públicos para mil pessoas.

"A água não é só uma questão para saciar a sede. Lavar-se permite manter a higiene e devolver a dignidade às pessoas que perderam tudo", explicou o coordenador dessas ações, Guy Mouron.

Os preços dos alimentos e do transporte estão muito mais altos (o pão custa o dobro que há seis dias) e os incidentes violentos, como saques, aumentam o ritmo do desespero das pessoas.

Houve inclusive quem alertasse a gritos sobre a chegada de um tsunami para aterrorizar os outros e poder roubar o que deixam durante a fuga.

A CICV indicou que todos os que dispõem de meios econômicos estão escapando e que a fronteira com a República Dominicana está repleta de pessoas procurando sair do Haiti.

Perto do aeroporto, pessoas com dupla nacionalidade haitiana e americana estão fazendo fila em frente à Embaixada dos EUA para poder sair do país.

A organização, habituada a lidar com situações extremas, indicou que, dada a magnitude do desastre, não pode fornecer números exatos sobre  mortos e feridos pelo terremoto.

Por outro lado, o CICV afirmou que está trabalhando com a Cruz Vermelha haitiana para instalar em seus escritórios um posto de contato para pessoas que buscam seus familiares desaparecidos, enquanto os sobreviventes podem se registrar como "sãos e salvos".

Cerca de 22 mil pessoas se registraram até agora no site da Cruz Vermelha  para encontrar os parentes.

Já a Federação Internacional da Cruz Vermelha, que reúne mais de 180 sociedades nacionais, indicou que enviou mais de 400 colaboradores para participar das tarefas de ajuda à população afetada.

A entidade espera mobilizar 500 toneladas de ajuda, entre a já enviada e a que ainda enviará nos próximos dias.

A Federação lançou um pedido de financiamento de emergência de 73 milhões de euros para ajudar 300 mil pessoas durante três anos.

O terremoto

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. O Governo do país caribenho confirmou que pelo menos 70 mil corpos já foram enterrados.

Na quarta-feira passada, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, tinha falado em "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 16 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e o brasileiro Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor.

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