Situação humanitária em Gaza se complica com ataques de Israel contra ONU

Saud Abu Ramadan. Gaza, 8 jan (EFE).- A Agência da ONU para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) anunciou hoje a suspensão de suas operações na Faixa de Gaza, em resposta à morte de um motorista de um de seus comboios na região, atacado por fogo israelense.

EFE |

Os veículos, pertencentes a uma empresa contratada pela UNRWA, foram atacados por volta das 9h locais (5h de Brasília), apesar de terem sido "claramente identificados com a bandeira das Nações Unidas" e de seu percurso ter sido previamente "combinado com as Forças Armadas israelenses", disse à Agência Efe um dos porta-vozes do órgão da ONU, Francesc Claret.

Os caminhões foram alvejados pela artilharia de um tanque israelense, que, além de matar um motorista, feriu outras pessoas e danificou a carga que era transportada.

"Não podemos continuar operando desta maneira. Pedimos que nos garantam segurança para realizarmos nossas operações, que respeitem o direito humanitário e a Convenção de Genebra, e que permitam o trabalho dos agentes humanitários", acrescentou Claret.

O ataque foi o terceiro contra a UNRWA desde que o Exército israelense iniciou, há 13 dias, uma ofensiva contra a Faixa de Gaza.

No começo da semana, quatro funcionários da ONU e dezenas de refugiados e civis morreram em ataques das tropas israelenses contra duas escolas da UNRWA que também haviam sido devidamente identificadas com logos da ONU.

Nesta quinta-feira, as ações militares israelenses e a descoberta de cadáveres palestinos em meio a escombros de edifícios destruídos fizeram aumentar o balanço de vítimas da ofensiva.

Segundo a última contagem do chefe do serviço de emergências na Faixa de Gaza, Muawiya Hassanein, pelo menos 765 palestinos morreram e 3.125 ficaram feridos desde o início dos bombardeios, reforçados há cinco dias com uma incursão terrestre.

O número de mortos pode aumentar nas próximas horas, já que 375 dos feridos se encontram em estado muito grave e o Exército israelense prossegue com seus bombardeios por terra, mar e ar.

"Falta muita gente. O mais provável é que estas pessoas estejam sob os escombros de dezenas de casas destruídas", explicou Hassanein.

Hoje, os serviços de resgate encontraram 35 palestinos em meio aos escombros de um edifício bombardeado pelo Exército israelense na localidade de Zeitoun, na Cidade de Gaza.

Nos ataques registrados ao longo do dia, 13 palestinos morreram e 45 ficaram feridos, acrescentou Hassanein.

No lado israelense, um soldado perdeu a vida e outro ficou gravemente ferido em confrontos com grupos armados palestinos, informou o Exército em um comunicado.

Entre as 13h e as 16h locais (9h e 12 de Brasília) desta quinta-feira, as forças israelenses suspenderam seus ataques pelo segundo dia consecutivo, para que a população pudesse sair de suas casas e as ambulâncias pudessem socorrer feridos e recolher corpos.

Acabada a curta trégua, aviões e tanques de guerra israelenses retomaram os bombardeios.

Segundo imagens de emissoras de TV locais, aparentemente o Exército de Israel está fazendo uso de bombas de fragmentação, cujo uso contra civis é proibido pelo direito humanitário internacional.

A ofensiva israelense continua, mas também seguem os esforços internacionais para o alcance de um cessar-fogo, os quais se concentram sobre um plano apresentado por Egito e França e aprovado pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU.

Também nesta quinta, o Hamas e outras nove facções palestinas rejeitaram, em um comunicado divulgado em Damasco, o plano egípcio para colocar fim às hostilidades na Faixa de Gaza, ao considerar que a proposta não tem "uma base válida" para uma "solução aceitável".

O plano do Cairo contempla uma trégua entre Israel e os grupos armados palestinos por um período limitado, além da abertura dos postos fronteiriços, a realização de uma reunião urgente entre as partes e o relançamento do diálogo interpalestino.

Segundo as facções que rejeitam o plano, a iniciativa busca "bloquear" e "impor restrições ao movimento de resistência", enquanto deixa o "inimigo (Israel) de mãos livres".

Por sua vez, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou mais cedo que seu Governo ainda não "pediu" ao Exército que "faça tudo o que for necessário" em Gaza para acabar com o lançamento de foguetes palestinos contra Israel. Segundo o chefe do Governo israelense, essa decisão ainda está para ser tomada. EFE sar/sc

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