Situação em Guiné-Bissau segue indefinida após tentativa de golpe

Dacar, 2 abr (EFE).- O presidente de Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, presidiu hoje uma reunião de Conselho de Ministros e organizou uma rodada de consultas com as instituições do Estado e do corpo diplomático, antes de comunicar ao país a situação política após o motim de quinta-feira organizado por um grupo de militares.

EFE |

A reunião do Gabinete não contou com a participação do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, liberado hoje da prisão domiciliar à qual foi submetido pelos militares rebeldes, que ontem o detiveram e exigiram que apresentasse sua renúncia, informou à Agência Efe o porta-voz da ONU em Bissau, Vladimir Montero.

No entanto, explicou Montero, Gomes Júnior se reuniu com Sanhá, e para isso saiu de casa após a retirada da vigilância militar, que foi substituída por policiais esta madrugada.

Depois, o premier voltou para sua residência sem comparecer ao Conselho de Ministros, o que gerou incertezas sobre a situação do Governo de Gomes Júnior e a saída para o levante militar de ontem, liderado pelo coronel Antonio Indjai, que se autoproclamou chefe do Estado-Maior Central das Forças Armadas.

Indjai, que era o "número dois" do organismo militar, mantém detido o titular, almirante José Zamora Induta, e outros 40 oficiais em uma base aérea, e assegurou, em comunicado divulgado hoje, que os militares do país estão subordinados ao poder civil.

"O Estado-Maior Geral das Forças Armadas informa à opinião pública internacional que o acontecimento de 1º de abril se trata de um caso meramente militar, que em nada afeta o normal funcionamento das instituições da República", assinala Indjai, segundo a rádio de Bissau.

Montero disse à Efe que após o Conselho de Ministros Sanhá deve se reunir com representantes parlamentares e com chefes militares, antes de seu comparecimento público para explicar a situação, que por enquanto disse que estar "sob controle".

Sanhá também deve se reunir com diplomatas credenciados em Bissau, o representante da ONU e o da Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao).

Uma fonte da ONU Bissau, que pediu não ser identificada, disse à Efe que o problema está ligado ao tráfico de drogas, "porque o país transformou em um narco-Estado onde vários bandos se enfrentam e são controlados por diferentes grupos de militares".

Há vários anos, diversos países da África Ocidental,e especialmente Guiné-Bissau, se transformaram em ponte para a Europa da cocaína produzida na América do Sul, segundo a Escritório da ONU Contra Drogas e Crime (UNODC).

Entre os militares que foram acusados de narcotráfico está o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Bubo Na Tchuto, responsabilizado por uma tentativa de golpe contra o assassinado presidente João Bernardo Vieira em 2008, que fugiu para Gâmbia e agora se uniu ao levante.

A situação em Bissau, segundo Montero, é hoje de aparente normalidade e com a calma habitual de um feriado.

A ONU, a União Africana (UA), a Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao), a União Europeia, Estados Unidos, Portugal, Brasil, França, Moçambique e outros países condenaram a rebelião em Guiné-Bissau, e pediram respeito à democracia. EFE st/mh

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