Situação dos deslocados aumentará violência no Timor-Leste, diz ONG

Sydney (Austrália)- A instabilidade aumentará no Timor-Leste caso não seja solucionada imediatamente a situação dos deslocados após a onda de violência de 2006, advertiu hoje o centro de estudos estratégicos International Crisis Group (ICG), com sede em Bruxelas.

EFE |

O ICG, uma organização internacional sem fins lucrativos, criticou em um relatório os Governos do Timor e de seus aliados internacionais por terem sido incapazes de realojar os cerca de 100 mil cidadãos que ficaram sem lar há quase dois anos.

Em abril de 2006, o militar Alfredo Reinado liderou os protestos andarilhos de 599 soldados expulsos do Exército por insubordinação, que gerou uma crise na qual morreram 37 pessoas e deixou a jovem nação à beira de uma guerra civil.

A onda de violência também levou ao desdobramento das forças internacionais de paz lideradas pela Austrália e as Nações Unidas, e forçou a renúncia do então primeiro-ministro, Mari Alkatiri.

Segundo o ICG, a fraqueza da economia e a falta de segurança e de acesso a uma casa prolongam a situação dos deslocados, dos quais um terço vive em campos de refugiados em Díli, enquanto o restante foi amparado por familiares e amigos em zonas rurais.

Em seus orçamentos para 2008, o Governo reservou fundos para a construção de casas, mas não para aumentar a segurança, apoiar a reinserção social e econômica dos refugiados ou a promover a reconciliação entre as comunidades, destaca a ONG.

Além disso, o documento assinala que as autoridades ainda não solucionaram o complexo assunto do registro de propriedade após a destruição de muitos arquivos durante a revolta de 1999 contra a ocupação militar da Indonésia.

As disputas sobre a terra são um problema recorrente no Timor-Leste, onde os moradores se atacam para reivindicar suas propriedades cada vez que a instabilidade volta ao país.

Após os distúrbios de 2006, em agosto de 2007 foram registrados novos episódios de violência depois das eleições presidenciais de junho, vencidas pelo Nobel da Paz José Ramos Horta, que por sua vez nomeou Xanana Gusmão como primeiro-ministro.

Em fevereiro, os dois governantes foram alvo de dois atentados frustrados, dos quais Gusmão escapou ileso, mas Ramos Horta ficou gravemente ferido e se recupera em um hospital australiano.

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