Situação de Gaza é pior do que Holocausto, diz enviado da Líbia

Por Louis Charbonneau NAÇÕES UNIDAS - Um enviado da Líbia que comparou a situação da Faixa de Gaza ao Holocausto deu um passo adiante na quinta-feira ao afirmar que o cenário no território palestino era ainda pior do que o visto nos campos de concentração nazistas porque Israel bombardeia os palestinos regularmente.

Reuters |

'Isso é pior do aquilo que ocorreu nos campos de concentração', afirmou o vice-representante permanente da Líbia junto à Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Dabbashi, a repórteres.

'Há os bombardeios, os bombardeios diários (realizados por Israel) contra a Faixa de Gaza. Isso não acontecia nos campos de concentração.'

'O cenário é pior do que o dos campos de concentração', disse Dabbashi, cujo cargo equivale ao de embaixador.

O enviado norte-americano junto à ONU, Alejandro Wolff, rebateu as declarações da autoridade líbia. Wolff fez parte do grupo de enviados ocidentais que saíram de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira quando Dabbashi comparou a situação da Faixa de Gaza com o Holocausto.

Wolff afirmou a repórteres que as declarações 'refletem um grau de ignorância sobre a história e de insensibilidade moral que é um dos grandes motivos pelos quais este Conselho vê-se incapacitado de agir nas questões do Oriente Médio e um dos motivos pelos quais atingir a paz no Oriente Médio é algo tão difícil'.

Os enviados da França, da Grã-Bretanha, da Bélgica e da Costa Rica também saíram da reunião na quarta-feira. Esse tipo de protesto contra membros do Conselho de Segurança é raro, afirmaram diplomatas.

Israel, que retirou suas forças e colonos da Faixa de Gaza em 2005, mas que ainda controla o espaço aéreo, as águas costeiras e as fronteiras do território, lança frequentemente incursões militares e ataques aéreos contra supostos militantes responsáveis por dispararem foguetes através da fronteira e realizarem outros tipos de ação violenta.

O governo israelense sugeriu várias vezes que a Líbia nunca deveria ter sido eleita para ocupar uma das vagas do Conselho de Segurança.

Após décadas de isolamento, a Líbia conseguiu, no ano passado, fazer parte daquele órgão quando os EUA deixaram de lado sua oposição à manobra. Esse é o único país árabe presente no Conselho de Segurança e seu mandato termina no final de 2009.

Em janeiro, Israel fechou os postos de fronteira com a Faixa de Gaza em resposta a ataques de foguete realizados por militantes palestinos contra o sul da Faixa de Gaza.

A ONU advertiu que o fechamento das fronteiras do território resultou em uma crise humanitária que afeta os 1,5 milhão de habitantes da Faixa de Gaza, a maioria deles dependentes de ajuda estrangeira para sobreviver.

A Líbia e outros membros do Conselho de Segurança vêm pressionando para que o órgão condene o bloqueio israelense, bloqueio esse que, segundo a ONU, dificulta muito a entrega de alimentos e remédios aos palestinos, além de ter prejudicado enormemente a economia da Faixa de Gaza.

A ONU insiste, porém, que qualquer medida a ser adotada pelo Conselho de Segurança inclua uma condenação ao grupo palestino Hamas, que assumiu o controle da Faixa de Gaza em 2006, e aos ataques com foguete contra Israel. A Líbia opõe-se a isso.

Durante o Holocausto (na Segunda Guerra Mundial), 6 milhões de judeus foram assassinados de forma sistemática pelo regime nazista da Alemanha.

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