Situação de 1,4 mil franceses no Haiti preocupa França

O governo da França disse estar preocupado com a situação dos 1,4 mil franceses que vivem no Haiti, ex-colônia francesa que se tornou independente no início do século 19. A grande maioria, 1,2 mil pessoas, reside na capital, Porto Príncipe, fortemente devastada pelo terremoto ocorrido na terça-feira.

BBC Brasil |

As autoridades estimam que há também cerca de 100 franceses atualmente de passagem no Haiti e cerca de mais uma centena que residem no país sem ter se registrado na embaixada, totalizando cerca de 1,4 mil pessoas.

A interrupção do sistema telefônico na capital haitiana cria grandes dificuldades para se entrar em contato com as pessoas na cidade.

"É muito difícil saber onde os franceses estão. Uma parte da embaixada foi destruída e eles estão reunidos em dois locais. São cerca de 100 pessoas. O restante, não sabemos onde eles se encontram", afirmou nesta quarta-feira o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, em um discurso no Parlamento.

Telefones
O ministério francês informou à BBC Brasil que "levará muito tempo" para localizar os franceses que estão no país.

"Como os telefones não funcionam, agentes da embaixada têm de ir pessoalmente aos endereços das pessoas. Mas como está impossível circular pela cidade, o censo demorará para ser realizado", afirmou um porta-voz do ministério francês.

Dois terços dos franceses que vivem no Haiti são expatriados. Na maior parte dos casos, eles vivem há muitos anos no país, já há várias gerações, informa a embaixada da França no Haiti.

Segundo as autoridades, 60% dos franceses residentes no país trabalham principalmente no setor de serviços, em hotéis e restaurantes, e também como artesãos e professores.

O restante, na grande maioria, é de funcionários públicos que trabalham em programas de cooperação com o país, entre eles 60 franceses que atuam na Missão das Nações Unidas para o Haiti(Minustah) e em outras agências da ONU, além de membros de ONGs.

'Milagre'
Há cerca de dez companhias francesas instaladas no país. Elas também informaram que não conseguem falar com seus funcionários no Haiti.

É o caso da Air France, que possui um escritório em Porto Príncipe, e da companhia petrolífera Total.

"Sabemos que o prédio da sede social não caiu, mas sofreu abalos. Não sabemos mais nada, o sistema de comunicações está cortado", afirma um representante do grupo francês em Paris.

As autoridades francesas afirmam não dispor até o momento de qualquer estimativa sobre o possível número de franceses mortos e feridos no país, mas já estimam que será muito difícil que nenhum francês integre a lista de vítimas.

Até agora, sabe-se apenas que um funcionário da embaixada francesa está gravemente ferido.

"Será um milagre se nenhum francês tiver sido afetado", declarou Alain Joyandet, ministro da Cooperação.

Ele também informou que 200 pessoas estão desaparecidas sob os escombros do Hotel Le Montana, em Porto Príncipe, ocupado sobretudo por turistas estrangeiros.

A comunidade haitiana na França também afirma não conseguir obter notícias de familiares no Haiti.

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