Situação da mulher melhora, mas progresso é lento, diz Banco Mundial

Um relatório do Banco Mundial (Bird) e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma que ainda é lento o progresso para se alcançar a igualdade de oportunidades econômicas entre homens e mulheres. Segundo o relatório, a situação das mulheres em termos de saúde e educação melhorou de forma substancial na maioria dos 122 países que forneceram dados.

BBC Brasil |

Mas ainda são necessários US$ 13 bilhões por ano para alcançar o objetivo de igualdade entre homens e mulheres.

"A igualdade entre homens e mulheres é a chave para a redução da pobreza e para o crescimento", afirmou Danny Leipziger, vice-presidente do Banco Mundial para Redução de Pobreza e Gerenciamento Econômico.

"O progresso na educação de mulheres é essencial, mas não será o bastante se não melhorarmos o acesso a bons empregos e linhas de crédito, à posse de terras e a atividades geradoras de renda", acrescentou.

O relatório "Igualdade para Mulheres: Onde Estamos em Relação à Meta de Desenvolvimento do Milênio 3?" foi lançado nesta quarta-feira, em Washington, durante um seminário do Centro Internacional de Pesquisa sobre Mulheres e do Banco Mundial.

As Metas do Milênio estabelecidas pela ONU foram aprovadas por 189 líderes de todo o mundo em 2000, e a terceira meta determinada é a de igualdade entre os sexos.

Mudanças
Segundo o relatório, de 122 países que disponibilizaram informações, 82 alcançaram a meta oficial de paridade entre os sexos (estabelecida de acordo com as Metas do Milênio) em matrículas no ensino primário e secundário em 2005.

Mas 19 países - 13 na região da África subsaariana - estão longe de alcançar esta meta.

No geral, a expansão das oportunidades políticas e econômicas das mulheres é bem mais lenta do que o progresso na educação e na saúde das mulheres. Para mudar isso, segundo o relatório, são necessárias mudanças em normas sociais básicas.

O relatório afirma que alguns exemplos recentes mostram que a criação de políticas não apenas para mulheres, mas também gerenciadas por mulheres, pode diminuir a diferença entre os sexos.

Como exemplos mais conhecidos, o documento cita o que chama de programas de transferência condicional de renda, criados em toda a América Latina e Caribe, inclusive no Brasil.

"Um dos principais traços de programas deste tipo é certamente o papel predominante das mulheres", afirma o relatório.

Apesar de citar o Brasil entre os países com programas de transferência de renda, o relatório afirma que o país, comparativamente, ainda tem salários mais baixos para mulheres do que para os homens, apesar de alta participação das mulheres no setor de trabalho assalariado.

Dinheiro
O documento afirma que serão necessários US$ 13 bilhões por ano, segundo os cálculos do projeto Metas do Milênio da ONU, para atingir a igualdade entre os sexos.

O dinheiro seria conseguido se doadores bilaterais e multilaterais, fundações particulares e outros aumentassem seus gastos para atingir a terceira meta em particular.

"Tivemos algum progresso, mas para alcançar a igualdade de sexos e oportunidades econômicas reais para mulheres serão necessárias mais verbas, políticas eficientes e muita vontade", afirmou Eckhard Deutscher, presidente do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento da OCDE.

"Quando estes três elementos estiverem alinhados, o progresso será rápido", acrescentou.

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