A situação alimentar mundial pode se agravar devido à crise financeira e a queda dos preços agrícolas, advertiu nesta segunda-feira o diretor geral da FAO (Agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura), Jacques Diouf, na abertura da conferência internacional sobre segurança alimentar.

"A crise continua presente e pode se agravar", destacou Diouf em um discurso de abertura da reunião de "alto nível" organizada em Madri sob auspícios da ONU sobre segurança alimentar.

"A contração dos preços e a incerteza financeira pode desacelerar o investimento dos agricultores e implicar uma importante redução da produção em 2009/2010", acrescentou o diretor da FAO.

A produção de cereais aumentou em 2008, porém apenas nos países desenvolvidos, e o número de pessoas que passam fome subiu, chegando a quase um bilhão, lembrou Diouf.

A reunião de Madri é uma ocasião para fazer anúncios concretos após as promessas realizadas ano passado na Cúpula da FAO em Roma, acrescentou.

Os países membros da FAO se comprometeram, na Cúpula de Roma em junho de 2008, a reduzir à metade o número de pessoas que passam fome no mundo daqui até 2015, mas só prometeram recursos financeiros limitados.

Os representantes de 95 países que se reúnem nesta segunda-feira e amanhã em Madri vão tentar concretizar as promessas feitas na Cúpula de Roma.

A reunião termina na terça-feira com uma declaração de Madri que estabelece os compromissos e as ações concretas dos países participantes para eliminar a fome no mundo.

A sessão final será presidida na terça-feira pelo secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, e o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

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