Sites de ONGs chinesas sofrem ataques de hackers

PEQUIM - Sites de grupos de direitos humanos e de ativistas chineses foram vítimas de novos ataques de hackers de origem desconhecida nos últimos dias, informou nesta segunda-feira uma das entidades atacadas, a ONG Chinese Human Rights Defenders (CHRD).

EFE |

Os outros sites são os do grupo pela liberdade de expressão Independent Chinese PEN (ICPC), New Century News, Canyu e Civil Rights and Livelihood Watch (CRLW), que foram atacados no fim de semana.

Os ataques contra o site da CHRD, que começaram na tarde de sábado e terminaram na manhã de domingo, chegaram a paralisar o serviço, que ficou sem acesso, informou a ONG em comunicado.

Segundo o provedor dessa organização, que defende dissidentes políticos, a frequência do ataque foi de 2GB por segundo - o ataque mais intenso já sofrido por um provedor. A organização ainda não pôde localizar a fonte do ataque.

Tanto essa ONG quanto a CRLW têm sede na China, enquanto a ICPC é uma organização de escritores e a New Century News e a Canyu são sites de notícias, todos administrados por ativistas chineses.

Um especialista em telecomunicações associado ao CHRD acredita que "é preciso dedicar muito tempo para preparar um ataque assim" e, por isso, não acha que "qualquer hacker tenha esse tipo de capacidade. O principal suspeito dessas ações é o governo chinês".

Esse é o mais recente episódio na disputa entre usuários e empresas de internet desde 12 de janeiro, quando o gigante de buscas Google denunciou que contas de e-mail particulares de ativistas, jornalistas e empresários tinham sofrido um "ciberataque".

Apesar de o Google já ter ameaçado deixar a China se o regime comunista não acabasse com a estrita censura na internet, na semana passada anunciou que permaneceria no país e estava negociando com as autoridades.

A CHRD indica em seu comunicado desta segunda-feira que seu site é alvo comum desses "ciberataques". Segundo o comunicado, isso ocorre sobretudo em épocas "delicadas" como a atual, quando ativistas estão recebendo duras penas de prisão, como o intelectual Liu Xiaobo , ou desapareceram, como o advogado Gao Zhisheng.

Os especialistas afirmam que o retrocesso do regime chinês se deve à insegurança do governo em relação à próxima transferência de poder, em 2012, e a um aumento do descontentamento social.

No entanto, na semana passada, um porta-voz do Ministério de Exteriores chinês negou que seu governo tivesse relação com esses "ciberataques" e assegurou que as leis chinesas proíbem a pirataria na internet.

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