Site ligado ao Kadima publica foto do papa com suástica

Uma foto-montagem que sobrepunha uma suástica nazista a uma foto do papa Bento 16 foi publicada em um site ligado a apoiadores do Kadima, partido que governa Israel. Pouco depois de publicada, a imagem foi retirada do site Yalla Kadima, aparentemente a pedido da líder do partido e chanceler israelense Tzipi Livni, que atualmente tenta formar um novo governo para se tornar primeira-ministra.

BBC Brasil |

O incidente acontece em meio a uma polêmica entre o Vaticano e governo israelense a respeito de uma exposição em Jerusalém que afirma que o papa Pio 12 foi omisso durante o Holocausto de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

"Tzipi Livni condena veementemente este ato e está trabalhando para remover esta imagem vergonhosa. Nós nos opomos veementemente a isto. Isto não representa o Kadima", disse o porta-voz Amir Goldstein pouco antes que a foto fosse removida.

Falando anonimamente, um dos editores do website disse à BBC que a página é uma plataforma para os ativistas do Kadima expressarem suas opiniões fora da página oficial do partido.

Segundo ele, a montagem foi enviada por um grupo de aposentados.

"Algumas dessas pessoas fazem parte da primeira ou segunda geração depois do Holocausto, e este é seu protesto legítimo", disse.

Segundo o editor do site, Livni ligou pessoalmente para ele e pediu que a foto fosse retirada, dizendo que ela poderia causar um incidente diplomático.

Muitos israelenses são contra o processo de canonização do papa Pio 12, que foi pontífice entre 1939 e 1958.

Exposição
A polêmica entre Israel e o Vaticano começou na semana passada, depois que o oficial do papado responsável pelo processo de canonização de Pio XII afirmou que o papa não deveria aceitar o convite para visitar o país antes que uma exposição no memorial do Holocausto Yad Vashelem, em Jerusalém, tivesse seu conteúdo modificado.

Um painel da exposição afirma que, apesar dos alertas de vários sacerdotes europeus a respeito da transferência de judeus para campos de concentração, o papa Pio XII não agiu para condenar ou tentar impedir as ações.

O Vaticano repetidamente mostrou objeções ao conteúdo do painel, afirmando que esta é uma "interpretação incorreta do papel do antigo papa".

A Santa Sé afirma que Pio XII ajudou a salvar alguns judeus escondendo-os em igrejas e monastérios.

Mas o Vaticano também afirma que a exposição "não será determinante na visita do papa ao país".

O papa Bento XVI se declarou no último mês favorável à beatificação de Pio XII, o primeiro estágio antes que ele possa ser declarado santo.

Israel muitas vezes acusou o Vaticano, que só reconheceu o país em 1993, de ter atitudes pró-palestinos.

Por sua vez, o Vaticano quer resolver uma questão judicial sobre os impostos sobre propriedades da Igreja no país assim como problemas de vistos.

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